Ítalo Guerreiro tem 25 anos e construiu sua trajetória artística no violino, a partir de um encontro entre oportunidade e persistência. O início foi em 2014, quando um projeto social chegou à sua escola: a Orquestra Estudantil do Areal. “A gente tinha o sonho, eles tinham o caminho”, resume.
O jovem fala do instrumento como quem reconhece um chamado. “Os instrumentos escolhem a gente”, diz. O violino, difícil e exigente, pede disciplina diária, repetição e estudo. Um processo longo, cheio de travas, vencidas uma a uma. Do coletivo da orquestra ao palco solo, vieram as primeiras apresentações, depois os convites, até chegar aos casamentos, aniversários de quinze anos e outros eventos onde hoje se apresenta, com amigos ou sozinho, com segurança e orgulho de não ter desistido.
Sobreviver da música em Pelotas, ele conta, é “botar a cara”. Trabalhar muito, se reinventar sempre e entender o público. Ítalo transita entre o erudito e o popular, adapta repertórios, escuta o que o cliente quer ouvir e faz do violino uma ponte entre mundos. Não se limita à música clássica: amplia, mistura, dialoga.
No momento, ele também vive de perto o Festival Internacional Sesc de Música de Pelotas, um evento que, segundo ele, democratiza o acesso ao conhecimento erudito e inspira quem vem de projetos sociais, como ele veio. Ver músicos de fora, de grandes orquestras, circulando pela cidade é combustível para quem está começando e para quem segue insistindo.
Ativo no Instagram, Ítalo publica vídeos tocando duas ou três vezes por semana, entendendo a rede como espaço de divulgação do seu trabalho. É ali que ele mostra o processo, o som e a coragem de se colocar.
Ítalo é desses artistas que não surgem de atalhos, mas de percurso. De quem começou do zero, atravessou o difícil e segue afinando o próprio caminho. Por isso, Ítalo é pra ficar de olho.


