Desde abril, a presença do povo indígena Fulni-ô tem criado uma série de encontros culturais em Pelotas. Oficinas, rodas de conversa, vivências, apresentações e atividades abertas ao público vêm aproximando moradores da região de práticas e conhecimentos preservados pela comunidade indígena originária de Águas Belas, no sertão de Pernambuco. Parte dessa circulação também passou por cidades vizinhas, como Rio Grande e Morro Redondo, mas é em Pelotas que o grupo concentra grande parte da programação desenvolvida até o início de junho.
Um dos principais pontos desse movimento é a exposição fotográfica em cartaz na 4Galeria, localizada na rua Doutor Amarante, 608. A mostra reúne imagens produzidas pela fotógrafa Inkmayim durante a passagem de uma família Fulni-ô pela cidade entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano. Os registros acompanham momentos de convivência, cerimônias, deslocamentos, cantos e encontros realizados ao longo da estadia do grupo no sul do Estado.
As fotografias surgiram inicialmente de forma espontânea, como documentação da primeira vinda da família à região. Na época, o grupo esteve em Pelotas para compartilhar práticas culturais e conhecimentos ligados à tradição espiritual da Jurema, preservada pelos Fulni-ô ao longo das gerações. O material produzido durante essa convivência acabou revelando uma narrativa própria e deu origem à exposição, construída a partir de cenas do cotidiano e da relação criada entre o grupo e a cidade.
A presença do povo Fulni-ô na região acontece através de uma articulação da loja Jóia da Bruxa, responsável por receber e organizar parte das atividades realizadas no sul do Estado. A programação inclui oficinas de maracá, grafismo indígena, pintura corporal, aulas de cânticos e rodas de conversa. Além das fotografias expostas na galeria, o público também encontra peças artesanais produzidas pela comunidade indígena.
Tradição preservada no sertão pernambucano
Originários do sertão nordestino, os Fulni-ô vivem atualmente em Águas Belas, município localizado a cerca de 270 quilômetros de Recife, em Pernambuco. A comunidade indígena ocupa uma região inserida no chamado polígono das secas e cortada pelo rio Ipanema, afluente do São Francisco. Hoje, cerca de seis mil indígenas vivem na aldeia, considerada a única da etnia no Brasil.
Os Fulni-ô são reconhecidos nacionalmente por preservarem elementos culturais raros entre os povos indígenas do Nordeste. São o único grupo da região que mantém viva sua própria língua, o Ia-tê, ainda utilizada no cotidiano da comunidade. Também preservam o Ouricuri, ritual espiritual realizado de forma reservada e transmitido entre gerações. A permanência dessas práticas atravessa o tempo como parte central da identidade cultural do povo Fulni-ô.
Serviço
Exposição fotográfica povo Fulni-ô
Local: 4Galeria (Rua Doutor Amarante, 608 – Pelotas)
De terça a sexta, das 9h às 20h
Sábados das 14h às 22h
Domingos das 14h às 21h
Visitação gratuita durante o mês de maio.


