A sexta-feira 13 ganhou atmosfera gótica em Pelotas com a estreia do Cine Mal Assombrado, projeto que une cinema clássico e debate coletivo. A primeira sessão aconteceu na noite de 13 de março, na 4 Galeria Arte e Café, reunindo público para assistir ao filme Drácula (1931), dirigido por Tod Browning e estrelado por Béla Lugosi, obra considerada uma das mais influentes na consolidação da estética do terror no cinema.
A iniciativa nasce da parceria entre o Pelotas Mal Assombrada, projeto criado por Nikolas Corrêa que investiga histórias e imaginários sobrenaturais ligados à cidade, e o espaço cultural comandado por Marianna Rachinhas. A proposta é exibir filmes clássicos do gênero e, na sequência, abrir uma conversa com o público sobre as leituras possíveis dessas obras no contexto contemporâneo.
Na estreia, a escolha por Drácula não foi casual. Além de estar em domínio público, o filme ocupa um lugar central na história do cinema de terror e na formação do imaginário gótico. “A gente inventou essa ideia de passar filmes clássicos de terror. E não podia começar melhor: Drácula, de 1931, com Béla Lugosi, que praticamente influenciou tudo o que a gente entende do gênero gótico que veio depois”, explicou Nikolas Corrêa durante a abertura da sessão.
Após a exibição, o público participou de uma roda de conversa que buscou relacionar o clássico a questões sociais e culturais ainda presentes no mundo atual. Para a participante Selma Silva, a experiência mostrou como filmes antigos podem ganhar novos significados quando vistos coletivamente. “Foi uma oportunidade incrível de ver um filme de 1931 e perceber como, logo depois da sessão, a gente pode discutir e pensar coisas daquele tempo trazendo para a nossa realidade de hoje”, comentou.
Sophia Mendonça destacou o impacto estético da obra e a força das soluções criativas usadas no cinema do início do século XX. “Coisas antigas já me dão um certo medo, em geral. Mas é muito bonito, como arte, ver como os recursos da época foram usados de uma maneira que realmente consegue nos assustar”, observou. Para ela, o filme também abre espaço para reflexões sobre temas sociais. “Ele faz a gente pensar sobre o outro, sobre o medo do selvagem, da irracionalidade, dentro de uma sociedade que se vê como científica e industrial.”
Além da dimensão artística, o encontro reforçou a importância de experiências culturais presenciais em um momento marcado pelo consumo individual de conteúdo digital. Segundo Corrêa, a proposta do Cine Mal Assombrado também passa por recuperar o cinema como espaço de convivência e troca. “A ideia é trazer a galera para observar os clássicos e perceber que é possível construir um diálogo em comunidade. Sair um pouco das telas, do Instagram, do TikTok, desacelerar e conhecer um pouco mais do que está sendo feito por aí.”
Para quem participou da estreia, iniciativas como essa também ajudam a fortalecer o circuito cultural da cidade. “A cidade ganha com isso. Pelotas já é conhecida por esse circuito cultural, e eu achei o projeto fantástico”, avaliou Selma Silva.
A expectativa dos organizadores é dar continuidade ao projeto com novas sessões ao longo do ano, sempre combinando exibição de clássicos do terror com debates abertos ao público. A proposta é criar um espaço em que o cinema funcione não apenas como entretenimento, mas como ponto de partida para discutir cultura, história e imaginário coletivo.


