O bailarino, coreógrafo e diretor artístico Daniel Amaro foi convidado pela Portela para participar do desfile do Carnaval 2026, no Sambódromo Marquês de Sapucaí. A escola será a terceira a entrar na avenida no domingo, 15 de fevereiro, com o enredo O Mistério do Príncipe do Bará, que homenageia o Príncipe Custódio e a negritude do Rio Grande do Sul.
Daniel desfilará como destaque do carro alegórico 04, representando Bará, orixá ligado aos caminhos, às encruzilhadas e à comunicação. O figurino foi produzido no próprio barracão da Portela, e, conforme o convite feito pela escola, o artista ocupará um lugar alto no carro, dançando para traduzir corporalmente a força simbólica da entidade no enredo.
Encontro de legados
Em depoimento gravado, Daniel Amaro destacou que a aproximação com a Portela não se deu apenas no barracão, mas a partir da escuta e do reconhecimento da história negra no Sul do país. Segundo ele, a visita da comitiva da escola a Pelotas, para assistir ao espetáculo A Dança dos Orixás, apresentado pela Companhia de Dança Afro Daniel Amaro na Charqueada São João, foi um marco no processo criativo do Carnaval 2026.
“Ver a Portela levar para a Sapucaí a saga desse príncipe que plantou o axé nos Pampas é mostrar que a nossa coroa nunca esteve perdida. Ela sempre esteve guardada em cada tambor, em cada movimento da dança, em cada terreiro”, afirma.
Quem é Daniel Amaro
Referência nacional na dança afro-brasileira, Daniel Amaro é bailarino, coreógrafo e diretor artístico. Fundou a Companhia de Dança Afro Daniel Amaro, que completou 25 anos em 2025.
Sua trajetória começou ainda na infância, transitando por ritmos populares e formações técnicas como dança contemporânea, jazz e balé. Ao longo desse percurso, identificou a ausência de artistas negros nos grandes elencos da dança brasileira. A partir desse incômodo, criou a companhia como um projeto de profissionalização, remuneração e protagonismo para bailarinos negros.
Desde 2000, o grupo mantém produção contínua baseada em pesquisa, criação e diálogo com a memória afro-brasileira. Ao longo de 25 anos, foram montados dez espetáculos, abordando espiritualidade, território, arqueologia, ancestralidade e as narrativas que constroem a presença negra no Sul do Brasil.
Pelotenses na Portela
Além de Amaro, o Carnaval carioca contará com mais representantes da cultura pelotense. Em setembro de 2025, o Arte-se destacou a participação do grupo Samba dos Lanceiros, formado por compositores de Pelotas, que chegou à final do concurso de samba-enredo da Portela.
Mesmo sem conquistar o título, o grupo garantiu lugar na tradicional Ala Ary do Cavaco e ampliou a visibilidade da produção cultural negra do Sul no maior palco do carnaval brasileiro.


