O Museu do Doce foi palco, no último sábado (14), de um encontro que conectou a historiografia de Pelotas às urgências sociais contemporâneas. O projeto “Memória e Silêncio das mulheres nos Saraus da Princesa” promoveu um debate sobre o papel feminino no tradicionalismo gaúcho, utilizando o resgate histórico como ferramenta de enfrentamento à violência de gênero.
Idealizada por Letícia Conter, 1ª Prenda do CTG Sinuelo do Sul, a iniciativa utilizou a simbologia dos antigos saraus pelotenses para ilustrar como o silenciamento das vozes femininas é um processo histórico. “Eram espaços festivos de convivência e expressões artísticas, mas que ainda assim não ouviam a voz das mulheres, que muitas vezes sofriam dores e violência dentro das suas famílias. Trazemos o passado para falar do presente”, explicou a organizadora.
O evento está alinhado à diretriz do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) para 2026: “O tradicionalismo dos galpões à sociedade: Movimento Tradicionalista Gaúcho e o combate à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul”. A proposta anual visa transformar as mais de 1.700 entidades tradicionalistas do estado em agentes ativos de conscientização e proteção.
A 1ª Prenda do Rio Grande do Sul e advogada, Laura Durli, foi a palestrante convidada e reforçou o compromisso da instituição com a pauta. “O silenciamento feminino faz parte da formação da nossa sociedade e por isso hoje o movimento tradicionalista está disposto a trabalhar esse tema. Queremos usar nossa força social para ensinar aos meninos o respeito e mostrar às meninas que jamais um ato de violência pode ser visto como um ato de amor”, afirmou a prenda.
Além da palestra focada em tradição e responsabilidade social, a atividade ofereceu orientações práticas sobre redes de apoio e serviços de assistência à mulher disponíveis atualmente em Pelotas e no estado. O objetivo central foi transformar a reflexão teórica em suporte efetivo, incentivando as comunidades a identificar padrões de comportamento abusivos que, muitas vezes, encontram-se enraizados na cultura local.
Com a oficialização do tema anual pelo MTG, diversas entidades tradicionalistas da cidade e do estado estão promovendo oficinas, seminários e rodas de conversa dedicadas ao enfrentamento da violência de gênero. Segundo Laura, uma das autoras do tema, a expectativa é que essas atividades auxiliem na consolidação dos galpões como espaços seguros de acolhimento e formação cidadã, fortalecendo a rede de proteção às mulheres dentro e fora de espaços tradicionalistas.
Fotos: Leonardo Marzoque



