No Rio Grande do Sul, guaipeca é uma das formas de chamar o cachorro vira-lata, sem raça definida. Leandro Maia transformou essa figura em ponto de partida para um trabalho que mistura amor, humor, experiências pessoais e crítica social. As canções do álbum “Guaipeca” chegam ao palco neste sábado (3), às 20h, no Theatro Sete de Abril, em um espetáculo que combina música e elementos das artes cênicas.
“Guaipeca” é o quarto álbum de estúdio do cantor e compositor e reúne 12 faixas. Entre as referências que atravessam o trabalho estão nomes tão diversos quanto Aparício Torelly, o Barão de Itararé, Aldyr Garcia Schlee, Rita Lee, David Bowie, Stevie Wonder, Renato Russo e Tom Zé. É justamente na figura do vira-lata que Leandro encontra um ponto de encontro para diferentes caminhos do disco.
“O próprio conceito de ‘Guaipeca’ condensa estas três dimensões – amor, humor e crítica social. Um bicho de origem popular, que não se deixa aprisionar, desacomodado por excelência”, explica Leandro. Para o compositor, essa liberdade também convive com a ternura e com uma maneira alegre de estar no mundo: “Nada mais humano do que um guaipeca”.
Nas composições, experiências pessoais, observação e invenção se misturam. É dessa relação que também surge a definição do espetáculo como “uma ilusão autobiográfica”: histórias da vida do compositor aparecem nas músicas, mas são transformadas pela criação artística.
Do disco para a cena
Embora tenha como base as canções do álbum, a dimensão cênica de “Guaipeca” não surgiu apenas depois da gravação. Segundo Leandro, a performance já fazia parte da concepção do trabalho e influenciou a própria construção do disco. “O espetacular e performático balizam o disco, e não o contrário”, afirma.
Essa relação ganha forma no palco com a direção cênica de Maria Falkembach, que também participa da apresentação. Sua presença começou em uma das músicas e cresceu a partir do caráter autobiográfico do trabalho. A montagem organiza uma dramaturgia para o show, com performance e dança aparecendo em diferentes momentos do repertório.
Uma dessas cenas recupera uma memória do próprio casal. Leandro compôs uma música para o casamento com Maria, que dançou a canção durante a celebração. Agora, os dois retomam essa história diante do público. “Acho que é uma exposição. Mas, ao mesmo tempo, é uma celebração do amor e isso tem chegado no público”, conta Maria.
Para a diretora, afeto, humor e posicionamento político não aparecem como universos separados. A proposta é estabelecer uma cumplicidade com a plateia, criando espaço para o riso, a reflexão e a emoção. “É uma experiência de afeto que, ao mesmo tempo, é política e bem-humorada”, resume.
Convidados integram a proposta do espetáculo
Essa mesma combinação ajuda a entender as participações preparadas para a apresentação deste sábado. Vitor Ramil, Los Desorientados e Bando Gramelô entram no espetáculo relacionados a diferentes dimensões de “Guaipeca”.
Vitor Ramil aparece ligado ao lado amoroso e lírico. Leandro e Vitor vão apresentar “Eu-Nuvem”, parceria presente no primeiro disco de Maia e que, segundo ele, os dois nunca tiveram a oportunidade de tocar juntos no palco.
Já Los Desorientados, duo formado por Renan Sosa, no piano, e Pablo Piñeyro, na bateria, entram pelo eixo da crítica social e do que Leandro define como um “viés punk” do repertório. Entre as músicas está “Quem já viu”, que ganha uma formação com piano, contrabaixo e bateria.
Com o Bando Gramelô, formado por Leandro, Kako Xavier, Sulimar Rass e Cardo Peixoto, o caminho é o humor e a desconstrução, com canções como “Minha Barba é Meu Blush”. As participações são integradas à dramaturgia dirigida por Maria e se somam à presença de João “Negrinho” Martins no contrabaixo acústico.
“Guaipeca” já circulou por diferentes estados brasileiros e por países como Inglaterra, Paraguai e Costa Rica. Nesse percurso, o espetáculo também foi se modificando, incorporando novas coreografias e dinâmicas a partir das experiências em cada palco.
“Acho que nunca apresentamos o mesmo espetáculo, sempre em movimento e aprimoramento”, diz Leandro.
A apresentação deste sábado, portanto, acrescenta uma nova configuração ao trabalho, reunindo parceiros de diferentes momentos da trajetória do compositor em torno das três dimensões que atravessam “Guaipeca”: amor, humor e crítica social.
Serviço
O quê: “Guaipeca: uma ilusão autobiográfica”, de Leandro Maia, com participações de Vitor Ramil, Los Desorientados e Bando Gramelô
Quando: sábado, 3 de outubro, às 20h
Onde: Theatro Sete de Abril
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), no primeiro lote; R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), no segundo lote
Classificação: 12 anos
Venda: Sympla


