Leandro Maia reuniu diferentes parceiros de sua trajetória na apresentação de “Guaipeca: uma ilusão autobiográfica”, realizada no último sábado (3), no Theatro Sete de Abril. Com casa cheia, o espetáculo teve participações de Vitor Ramil, Bando Gramelô e Los Desorientados, além de João Marcos “Negrinho” Martins no contrabaixo e Maria Falkembach na direção cênica e em cena.
Entre os convidados, Vitor Ramil dividiu o palco com Leandro em “Eu-Nuvem”, parceria gravada no primeiro disco do compositor. A relação entre os dois vem desde a gravação da música e continuou em diferentes colaborações ao longo dos anos. “Fico muito feliz de ter gravado essa canção com ele e agora participar do show dele”, contou Vitor após a apresentação.
O Bando Gramelô protagonizou outro momento de destaque. Ao lado de Kako Xavier, Sulimar Rass e Cardo Peixoto, Leandro reuniu as quatro vozes em coro, dança e canções bem-humoradas. A sintonia entre os músicos deu à participação uma energia própria, com os quatro ocupando o palco não apenas como instrumentistas e cantores, mas também pela movimentação e interação entre eles.
A noite teve ainda a participação de Los Desorientados, com Renan Sosa e Pablo Piñeyro. Os diferentes convidados deram novas configurações às músicas e também interferiram na dimensão cênica do espetáculo. Maria Falkembach contou que precisou se adaptar, inclusive, a arranjos que mudaram com a presença dos músicos. “É muito me deixar permeável para ver o que acontece na cena”, explicou.
Essa abertura ao que acontece no palco faz parte de “Guaipeca”, que combina as canções do álbum homônimo com dança, atuação, recitação e manipulação de bonecos. Na apresentação de sábado, essas linguagens se encontraram com as diferentes formações musicais reunidas por Leandro, fazendo com que cenas já existentes ganhassem outras possibilidades.
Ao final, o compositor relacionou a apresentação à trajetória que construiu ao longo de 16 anos vivendo em Pelotas. “Foi a minha retribuição e a minha homenagem para a cidade de Pelotas, que me atura há 16 anos, que me inspira e me faz ser uma pessoa melhor”, afirmou.
Maria também destacou a resposta do público e a casa cheia. “Ver gente que quer ver esse tipo de trabalho […] dá esperança”, disse. Leandro encerrou a noite definindo “Guaipeca” a partir da relação que o espetáculo estabeleceu com a arte, a cidade e o público: “É um grande ato de amor à arte, à cidade e à vida.”


