O músico, compositor, percussionista e artista visual uruguaio Lyber Bermúdez faleceu na madrugada deste domingo (24), em Pelotas, onde vivia há mais de duas décadas. O velório aconteceu pela manhã no Memorial Angelus Pax, e o corpo foi posteriormente encaminhado para o Crematório Angelus.
Nascido em Montevidéu em 21 de dezembro de 1971, Bermúdez construiu uma trajetória marcada pela integração entre música, artes visuais e educação, sempre com a convicção de que a arte é ponte entre tradição e futuro. Sua carreira começou cedo, aos 13 anos, em murgas e grupos de canto popular, alcançando repercussão nacional ao integrar, por quatro anos, o grupo do consagrado Olimareño Bráulio López. Realizou turnês internacionais, estudou com grandes mestres da música cubana em Havana e, já radicado no Brasil, se consolidou como referência em projetos culturais e musicais. Também colaborou com diversos artistas, acumulando premiações e deixando marcas na cena nativista e latino-americana.
Em Pelotas, gravou os álbuns Latinamente (2015), esgotado em duas edições, e Candombe para Vos (2018), lançado com apoio do Procultura. Este último, com 10 faixas, contou com produção de Hélio Mandeco e do próprio Lyber, direção de arte de Emerson Ferreira e pinturas de Ana Cristina Seabra, estando hoje disponível no Spotify.
Educador, intérprete e arranjador, Bermúdez era licenciado em Artes Visuais e pós-graduado pela UFPel, onde unia música e artes visuais como caminhos de criação e conhecimento. Sua atuação bilíngue, entre o português e o espanhol, refletia o desejo de conectar culturas, ritmos e saberes da América Latina.