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Música sobre o espectro autista é premiada em festival

A XIX edição da Jerra da Canção Nativa foi realizada nos dias 2, 3 e 4 de abril, em Santa Vitória do Palmar. Na noite final, realizada no sábado (04), dez músicas retornaram ao palco para disputar as premiações previstas no regulamento. A canção “Espectro” conquistou a 3ª colocação e também rendeu a Everson Maré o prêmio de Melhor Melodia.

A composição surgiu a partir de uma conversa entre Everson Maré e o letrista Rômulo Chaves, de Palmeira das Missões. O músico relata que, em um diálogo por telefone, compartilhou dificuldades sensoriais enfrentadas em um dia mais sensível, quando até o barulho dos carros o incomodava. Ao final da conversa, comentou que, se fosse poeta, escreveria sobre aquilo. Cerca de meia hora depois, recebeu a letra de “Espectro”. A partir disso, desenvolveu a melodia, e a música foi inscrita na triagem do festival, sendo posteriormente defendida no palco.

Everson Maré destaca que não se considera um cantor profissional, mas decidiu interpretar a própria composição para manter a originalidade, apesar do desafio. A apresentação teve grande aceitação do público e gerou forte comoção. Segundo ele, muitas pessoas se emocionaram, choraram e agradeceram pela abordagem do tema no palco de um festival nativista. O músico afirma que nunca havia recebido tantos relatos desse tipo.

Sobre o processo de criação, Maré explica que não pensou em rótulos ao compor. Para ele, a música é universal e não deve ser limitada por classificações como “nativista” ou “tradicionalista”. Seu foco foi criar uma melodia condizente com a força da letra, capaz de transmitir emoção com equilíbrio entre suavidade e intensidade. A escolha por um valseado, semelhante a uma valsa, foi pensada para melhor comunicar a mensagem e tocar o público.

Ele ressalta que a melodia surgiu de forma rápida e fluida, mesmo com ajustes posteriores, e sem recorrer a metodologias complexas. O objetivo principal foi respeitar o texto original e reforçar seu significado. Segundo o artista, esse cuidado pode ter sido determinante para o reconhecimento com o prêmio de Melhor Melodia, já que a avaliação em festivais costuma considerar a relação entre letra e composição.

A música também se destaca pelo tema abordado. Everson Maré afirma que levar a inclusão para o palco de um festival é uma responsabilidade, especialmente em um contexto em que temas sociais são menos frequentes do que em décadas passadas. Para ele, abordar o autismo dentro da música nativista é uma forma de contribuir para o debate e promover reflexão.

O artista ressalta que, embora o tema tenha ganhado mais visibilidade nos últimos anos, ainda existem desafios importantes, como o combate ao preconceito e a garantia de direitos para pessoas autistas. Ele destaca que falar sobre o autismo é, acima de tudo, falar sobre diversidade humana, reconhecendo diferentes formas de perceber, sentir e interagir com o mundo.

Everson Maré também relaciona a música à sua própria trajetória. Ele conta que, enquanto criança, tinha dificuldades de fala, cognição e interação social, e que a música foi fundamental para seu desenvolvimento. Segundo ele, foi a partir do contato com o violão que sua vida começou a mudar, com melhorias progressivas ao longo do tempo.

Nesse contexto, o músico chama atenção para a pouca valorização da musicoterapia. Ele afirma que, apesar de avanços em áreas como diagnóstico, terapias comportamentais e apoio educacional, ainda se fala pouco sobre o papel da música no desenvolvimento de pessoas autistas. Em experiências realizadas em escolas, observou que crianças no espectro participaram ativamente de atividades musicais, interagindo, cantando e demonstrando engajamento, inclusive aquelas com dificuldades de comunicação verbal.

A escolha do festival também foi intencional. Segundo Maré, a Jerra da Canção Nativa foi considerada um espaço receptivo e adequado para apresentar um tema dessa magnitude. Ele reforça que a participação não teve como objetivo principal a premiação, mas sim a apresentação de uma mensagem ao público nativista.

A primeira apresentação da música ocorreu no dia 2 de abril, data que coincide com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o que reforçou o significado da performance. O artista relata que tinha consciência da responsabilidade envolvida e da representatividade do momento, especialmente diante da presença de pessoas que se deslocaram de outras cidades para assistir à apresentação.

Por fim, Everson Maré destaca que a conquista do prêmio e a repercussão da música têm impacto também em sua cidade, Capão do Leão, que representou como autor da melodia, enquanto a composição também representa Palmeira das Missões, cidade de Rômulo Chaves. Ele considera a premiação gratificante e relevante para fortalecer o debate local sobre inclusão.

Segundo o músico, embora haja avanços nas discussões sobre adaptação de ambientes, metodologias de ensino e garantia de direitos, ainda é necessário ampliar o reconhecimento da música como ferramenta de desenvolvimento e inclusão. Ele afirma que tem atuado nesse sentido em sua comunidade e que o prêmio contribui para dar visibilidade a essa perspectiva.

Para Everson Maré, a música pode ser uma ferramenta importante para melhorar a vida das pessoas, incluindo aquelas no espectro autista, e deve ser incorporada de forma mais efetiva nos debates e práticas relacionadas à inclusão.

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Março

10/03 – O Picadeiro das Mulheres – Oficina de Circo para mulheres
18h30 Local: Centro de Treinamento Tholl
Inscrições gratuitas pela DM do @grupotholl

12/03 – Eternos Cascavelletes (40 anos)
21h Local: Johnnie Jack Bar
Ingressos pelo WhatsApp 53 992125757

13/03 – Cine Mal Assombrado – Drácula 1931
20h Local: 4 Galeria (R. Dr. Amarante, 608)

13/03 – Colônia Festival II – paz, cultura e música
 Local: Casa Grupelli (Quilombo – 7º Distrito)

14/03 – Beijo Maldito 2026

14 a 29/03 – Ria! Encontro de Palhaçaria feminina

15/03 –  Bravo Tenores in Concert
Hora: 20h   Local:  Theatro Guarany 

21/03 – Coletivo Khaos apresenta: Projeto Barragem (Teatro de Rua)
Hora: 16h Local: Avenida da Paz, 210 – Praça da liberdade 2 – Areal

21/03 – Samba do Rei na Nave
Hora: 18h Local: Restaurante Nave (R. Antônio dos Anjos, 98)

22/03 – Coletivo Khaos apresenta: Projeto Barragem (Teatro de Rua)
Hora: 16h Local: Praça Guabiroba 2 – R. Irmão Fernando de Jesus, 40 – Fragata

25/03 – Carol Delgado em “Energia Feminina” (Stand-up comedy)
Hora: 19h Local: Theatro Guarany

28/03 – Coletivo Khaos apresenta: Projeto Barragem (Teatro de Rua)
Hora: 16h Local: R. Campus Arthur Raubach 421 – Tres Vendas

 

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