Aos 21 anos, Pedro Victor Gonçalves transformou Pelotas, sua cidade natal, em cenário de ficção interativa. Ele está à frente do desenvolvimento de Artius, um jogo digital inspirado na arquitetura, cultura e cotidiano da cidade – com prédios coloridos, personagens artistas e uma crítica embutida ao apagamento da arte nos tempos atuais.
“Desde pequeno, eu via os jogos como desenhos animados que davam pra interagir”, conta Pedro, que começou a programar ainda na infância, aos 9 anos, impulsionado pela paixão por criar histórias. O fascínio por games surgiu jogando Sonic, personagem que ele chama de sua “primeira inspiração”.
O jovem aprendeu a desenvolver jogos de forma autodidata e está com o curso de Ciência da Computação na UFPel trancado atualmente para focar no projeto. Pedro hoje lidera uma equipe com integrantes de várias partes do Brasil. São seis pessoas fixas – incluindo colaboradores do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Gravataí – conectadas remotamente para dar vida a Artius.

O game, ainda em produção, apresenta um universo onde todos os personagens são artistas (pintores, arquitetos, músico) e vivem em uma cidade cujo principal valor é a arte. O enredo gira em torno de uma ditadura artística liderada por um vilão que representa a inteligência artificial. “É uma metáfora sobre a ameaça à arte e o espaço que ela ocupa na sociedade atual”, explica Pedro.

A cidade fictícia do jogo tem como base visual Pelotas: o Mercado Público amarelo, a Faculdade Eliseu Maciel em tons de verde, prédios históricos com grafites e ruas que lembram o centro da cidade. “Quero que quem jogue, mesmo morando em outro país, sinta o apego por essa cidade – como se fosse a dele. Que ela pareça familiar e acolhedora”, comenta. Segundo Pedro, o maior desafio é justamente transmitir esse sentimento de afeto por Pelotas de forma sutil e universal.
Apesar de ainda não estar disponível para jogar, Artius já chama atenção pelo conceito, estética e proposta. O universo do jogo é colorido, com traços delicados e atmosfera leve – o que gera identificação mesmo sem o jogador perceber a inspiração direta em Pelotas.
Ele acredita que jogos são também uma forma de arte – e quer que Artius seja uma prova disso. “É um jeito de contar histórias, fazer críticas e emocionar. É minha maneira de colocar Pelotas no mapa da criação artística digital.”
Pedro Victor é, sem dúvida, um nome pra ficar de olho.