Entre os meses de março e abril de 2026, Pelotas recebe o projeto Kasãto: Letramento Étnico-Racial através da Encadernação e Grafismo Indígena. A iniciativa, que une arte, educação e ancestralidade, oferece oficinas gratuitas e itinerantes em diferentes pontos da cidade, com o objetivo de enfrentar o racismo estrutural e valorizar os saberes originários.
O projeto é uma realização do Artivismo Indígena em parceria com a produtora cultural Ruidosa Alma, sendo viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) por meio da Prefeitura de Pelotas. A condução das atividades está a cargo de Kowawa Kapukaja Apurinã, antropóloga e primeira doutora indígena formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
O nome do projeto é uma homenagem à avó de Kowawa, Kasãto, uma mulher do povo Apurinã que viveu no Amazonas. Para a idealizadora, a iniciativa é uma forma de combater a invisibilidade dos povos originários na região. “Existem povos indígenas em Pelotas e há uma invisibilidade, pouco se fala. Kasãto é sobre ancestralidade, é sobre aprendermos a falar, porque a palavra é flecha e a palavra educa”, destaca Kowawa.
A produtora Ruya Carlo reforça que o foco das oficinas no CRAS São Gonçalo e em outras localidades vai além da técnica artesanal. “Nosso principal objetivo é difundir a encadernação artesanal e também letrar as pessoas etnicamente, para que saibam o que dizer, como tratar uma pessoa indígena e como se portar nos ambientes”, explica.
Com o objetivo de descentralizar o acesso à cultura, o projeto percorre cinco regiões: Centro, Fragata, Areal, São Gonçalo e o distrito rural Colônia Z3. A programação inclui o aprendizado de grafismos tradicionais e a confecção de cadernos manuais, com todos os materiais fornecidos gratuitamente.
“Fazer cultura é chegar nas comunidades. Chegar às periferias é muito importante, a cultura é para todos nós”, defende Kowawa. Ao final do ciclo de oficinas, os trabalhos desenvolvidos pelos participantes serão reunidos em uma exposição interativa.
A primeira fase do projeto teve início no Instituto Hélio D’Angola (14/03), seguida pelo CRAS São Gonçalo (16/03) e APADPEL (18/03). As informações sobre as próximas etapas e inscrições estão disponíveis nos perfis oficiais no Instagram: @caminhosdekasato e @ruidosalma.
Serviço
Exposição do Projeto Kasãto – Oficinas de Encadernação e Letramento Étnico-Racial
Dias: 20 a 24 de abril
Hora: 8h às 14h
Local: Secult (Casarão 2, Pr. Coronel Pedro Osório)
Entrada Gratuita


