Gregório Duvivier esteve em Pelotas pela primeira vez com o espetáculo “O Céu da Língua”, em uma passagem marcada pela grande procura do público. A demanda foi tanta que a apresentação ganhou sessão extra, um movimento pouco comum na agenda cultural local e que reforça a força do nome do artista na cidade.
No palco, Gregório conduziu um espetáculo centrado na palavra. A língua portuguesa aparece não como regra gramatical, mas como matéria viva: cheia de desvios, memórias, sons, afetos, contradições e humor. A peça parte da relação do artista com as palavras para mostrar como a poesia atravessa a vida cotidiana, mesmo quando não é percebida como poesia.
O frio também acabou entrando no espetáculo. Com a voz rouca, Gregório brincou que a culpa era uma mistura da temperatura da cidade com o jogo do Brasil na Copa do Mundo, na véspera. O imprevisto virou parte da troca com a plateia, que respondeu aos jogos de linguagem, às associações inesperadas e aos momentos em que o artista aproxima literatura, política, memória e piada. O resultado foi uma experiência que não se limitou ao formato da comédia, embora o riso tenha sido uma presença constante.
A passagem de “O Céu da Língua” por Pelotas também deixa um sinal importante. Há público para espetáculos nacionais, há interesse por teatro e há espaço para propostas que unem humor, pensamento e literatura.



