Um dos personagens mais conhecidos da literatura mundial voltou à cena em Pelotas na sexta(26), mas por um caminho menos óbvio: não pelo olhar de Dom Quixote, e sim pelo de Sancho Pança. O espetáculo “Sancho Pança – O Fiel Escudeiro”, do Rio Grande do Norte, integrou a programação do Palco Giratório Sesc e foi apresentado na Fábrica Cultural.
Protagonizada pelo artista potiguar Rodrigo Bruggemann, a montagem parte do universo criado por Miguel de Cervantes para construir uma releitura sensível, divertida e provocadora. Em cena, o Palhaço Piruá está internado em um manicômio por afirmar ser o fiel escudeiro de Dom Quixote de La Mancha. Entre lembranças, delírios e sonhos, ele assume a pele e a alma de Sancho Pança enquanto espera reencontrar o lendário cavaleiro.
A partir dessa busca, o espetáculo transforma a aventura literária em uma reflexão sobre o presente. A dupla formada por Dom Quixote e Sancho Pança, atravessada por mais de quatro séculos de história, aparece como metáfora para pensar coragem, justiça, resistência e os desafios enfrentados por quem insiste em defender suas causas, mesmo quando o mundo parece caminhar em outra direção.
Com linguagem acessível, humor e forte apelo poético, a peça aproxima o público de temas atuais sem abrir mão da imaginação. O delírio do palhaço, nesse contexto, não funciona apenas como fantasia, mas como uma forma de questionar o que a sociedade chama de lucidez, heroísmo e loucura.
A montagem é idealizada e protagonizada pelo Palhaço Piruá e tem direção e dramaturgia do argentino Walter Velázquez. O espetáculo é uma coprodução da Tropa Trupe, do Brasil, e da companhia Sin Pulgares, da Argentina, integrando o projeto Cervantes sem Fronteiras.



