Músicos que acompanharam Lyber Bermúdez ao longo de sua trajetória se reuniram no domingo (26), na Praça de Alimentação da Fenadoce, para celebrar a obra do artista. O espetáculo reuniu amigos e convidados do Brasil e do Uruguai em um repertório formado por composições autorais, candombes e outras referências da música do país vizinho.
Idealizado por Mara Braga, esposa de Lyber, o tributo contou com artistas que participaram de diferentes momentos de sua carreira, entre festivais, gravações e apresentações. “Lyber, além de ser um artista extremamente talentoso, era alegria, celebração e divulgação da música latino-americana, que ele levava como uma bandeira”, afirmou Mara. Para ela, o projeto é uma forma de manter a produção do músico em circulação e apresentá-la a novos públicos.
A homenagem também marcou o reencontro de Lyber com um palco importante em sua história. Conforme Mara, o músico participou de todas as edições da Fenadoce desde que se estabeleceu no Brasil, há 27 anos.
Entre os convidados estava Pablo Etcheverri, que veio de Montevidéu para participar da apresentação. A ligação com Lyber surgiu por meio de Raul Dias, amigo de infância do artista e um dos responsáveis por sua chegada a Pelotas. Etcheverri destacou a proximidade cultural entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai e afirmou que participar da homenagem teve um significado especial por compartilharem origens na região de Canelones.
Negrinho Martins ressaltou a capacidade de Lyber de aproximar artistas dos dois países. O músico lembrou que o homenageado ajudou a criar conexões entre brasileiros e uruguaios por meio do candombe e de outros ritmos vinculados à região do Rio da Prata.
Essa influência também foi lembrada pelo baterista Renato Popó, que conheceu o candombe ao ser convidado para tocar com Lyber. “Por horas ele sentava na bateria e me mostrava. A obra do Lyber é muito rica em gêneros e ritmos latino-americanos”, contou.
Nuno Moura, que acompanhou o artista durante mais de dez anos ao lado do irmão, Fabrício Pardal Moura, definiu o tributo como um encontro entre amigos e diferentes experiências musicais. “Foi um encontro de música, de almas musicais e de conexão entre Brasil, Uruguai e os países latino-americanos”, afirmou.
Lyber Bermúdez morreu em 24 de agosto de 2025, em Pelotas, aos 53 anos. Nascido em Montevidéu, iniciou sua trajetória musical aos 13 anos, participando de murgas e grupos de canto popular. Foi percussionista, compositor, intérprete, arranjador, artista visual e educador, além de licenciado e pós-graduado em Artes Visuais pela UFPel.
Em Pelotas, gravou os álbuns Latinamente e Candombe para Vos e desenvolveu uma trajetória dedicada à cultura e aos ritmos da América Latina. O projeto apresentado na Fenadoce pretende seguir levando esse repertório aos palcos.



