Em um único sábado de Fenadoce, Rafael Takaki percorreu 11 quilômetros dentro do Centro de Eventos. O número ajuda a dimensionar a rotina do fotógrafo, que precisa acompanhar apresentações, visitas, concursos e outras atividades realizadas simultaneamente em diferentes pontos da feira. Aos 40 anos, Rafael está em sua sétima edição à frente da cobertura fotográfica da Fenadoce, como integrante da equipe da Reverso Comunicação. As imagens produzidas por ele abastecem as redes sociais e o site do evento, são enviadas para a imprensa e registram situações que nem sempre aparecem na programação oficial.
A relação com a fotografia começou por volta dos 15 anos. Rafael tinha uma “xeretinha”, como ficou conhecida a Kodak Xereta, câmera analógica compacta e de uso simples que se tornou popular nos anos 80. Com ela, começou a fotografar e a aprender de maneira autodidata. Mesmo passando por outros trabalhos, manteve a fotografia presente em sua vida. Mais tarde, ingressou no curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas e desenvolveu o trabalho de conclusão da graduação a partir da fotografia.
Quando começou a trabalhar com eventos, percebeu que ainda precisava ampliar a formação. Rafael buscou o curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas interessado especialmente pelo fotojornalismo. Nesse campo, a fotografia integra a notícia e precisa apresentar ao público informações sobre o que aconteceu. Muitas vezes, uma única imagem deve registrar o momento, situar o acontecimento e comunicar o principal da pauta. “Às vezes, no fotojornalismo, é preciso transmitir uma notícia em uma imagem só. Esse olhar precisa estar sempre sendo aprimorado”, explica.
Rafael afirma que a prática exige atenção constante. O fotógrafo precisa compreender o que deseja mostrar, observar a luz, escolher o enquadramento e reagir rapidamente ao que acontece diante da câmera. Parte desse aprendizado ocorreu durante o estágio no extinto Diário Popular. Na redação, teve contato com profissionais que se tornaram referências para seu trabalho, como os fotojornalistas Paulo Rossi, Jô Folha e Carlos Queiroz.
Na Fenadoce, a equipe começa cada dia com uma pauta formada pelos compromissos fixos da programação. O planejamento, no entanto, muda conforme surgem visitas, movimentações pelos corredores e atividades que precisam ser registradas. “É vivo, o tempo inteiro está mudando. Além da agenda fixa, sempre tem alguma coisa acontecendo. Então, tem que estar ligado e sempre de olho”, conta.
No primeiro ano de trabalho, Rafael fez sozinho toda a cobertura fotográfica da feira. A partir das edições seguintes, passou a dividir as pautas com outros profissionais. Roberto Dias, colega desde a graduação em Jornalismo, participou de diferentes coberturas ao seu lado. Neste ano, Rafael trabalha com Alaíde Júnior e com os demais integrantes da equipe da Reverso. O tamanho do espaço e a quantidade de atividades exigem vários deslocamentos ao longo do dia. Em uma das datas mais movimentadas desta edição, Rafael assumiu sozinho parte da programação e terminou o expediente com 11 quilômetros registrados.
A rotina intensa não diminuiu o vínculo que desenvolveu com a Fenadoce. Ao longo de sete edições, o evento trouxe novos contatos, oportunidades profissionais e relações que continuam fora do período da feira. “Eu conheço muita gente através dela. Tem pessoas que já são do ‘bom dia’, do ‘boa tarde’, daquele café que a gente vai pegar nos estandes. A Fenadoce, para mim, é muito especial”, afirma.
Essa relação também está ligada a um dos momentos mais difíceis de sua vida. Em 2019, Rafael perdeu o pai durante a realização da feira. Ele recebeu a notícia pela manhã, encaminhou o fotógrafo Roberto Dias para cumprir as primeiras pautas e acompanhou os procedimentos de despedida da família.
Às 18h, decidiu retornar ao Centro de Eventos. A equipe da Reverso e a organização da Fenadoce haviam recomendado que ele permanecesse descansando, mas Rafael sentiu que voltar ao trabalho poderia ajudá-lo naquele momento. “Não foi por demanda da Reverso ou da Fenadoce. Eles queriam que eu descansasse a cabeça. Voltei por me fazer bem, por saber que estava fazendo o que eu gosto”, recorda.
Entre as atividades que mais aprecia está o acompanhamento das cortes da Fenadoce. O trabalho começa antes da abertura da feira, com ensaios fotográficos, e continua durante o concurso, os compromissos oficiais e a passagem das representantes pelo Parque de Diversões. Rafael costuma propor imagens diferentes das fotografias protocolares. Algumas de suas preferidas foram produzidas durante esses ensaios, incluindo um registro das integrantes da corte no Barco Viking. “São fotos que eu entrego e se espalham pelo Brasil inteiro”, destaca.
O trabalho do fotógrafo pode ser acompanhado no perfil Rafael Takaki Fotografia, no Instagram.
Rafael Takaki é pra ficar de olho.



