Pelo segundo ano consecutivo, a cineasta e produtora de vídeo pelotense Natália Cabral integrou a comissão organizadora do Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema – Mostra de Curtas Gaúchos, realizado durante o Festival de Gramado. O trabalho acontece nos bastidores e começa meses antes das exibições, com a preparação das diferentes etapas que estruturam a competição dedicada ao audiovisual produzido no Rio Grande do Sul.
Formada em Cinema pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Natália participa da comissão por meio de uma cadeira do Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul (SIAV-RS). A organização conta ainda com representantes da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC-RS), Fundação Cinema RS (Fundacine) e Instituto Estadual de Cinema (Iecine), vinculado à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac). As cinco instituições atuam junto à Assembleia Legislativa e à Gramadotur na organização da mostra, incluindo a definição do regulamento e a formação das comissões responsáveis pela seleção e pelo júri.
A participação na organização, no entanto, não envolve a escolha direta dos filmes que chegam à competição. A comissão organizadora é responsável por constituir a comissão de seleção, que assiste às produções inscritas e define os títulos participantes, e também a comissão de jurados, que acompanha os filmes durante o festival e escolhe os premiados.
Neste ano, 17 curtas-metragens de diferentes regiões do Rio Grande do Sul participaram da mostra. Entre eles estavam produções de Pelotas e Rio Grande, com uma presença significativa de realizadores formados na região. Cinco dos filmes selecionados envolviam estudantes ou egressos dos cursos de Cinema da UFPel.
Para Natália, acompanhar essa participação teve também um significado pessoal. Graduada pela universidade em 2013, ela encontrou em Gramado estudantes, professores e profissionais de diferentes gerações dos cursos de Cinema, inclusive realizadores com quem ainda não havia tido contato. “Eu conheci pessoas que se graduaram em 2015, em 2020, em 2021. Através de Gramado, fizemos novos contatos para produzir juntos aqui em Pelotas”, conta.
Os encontros reforçam uma dimensão do Festival de Gramado que acontece paralelamente às sessões. Além da exibição e premiação dos filmes, o evento reúne profissionais de diferentes regiões do país e cria espaços para contatos, articulação de projetos e conexões de mercado. Para quem produz audiovisual fora dos grandes centros, a circulação pode abrir caminhos para novas parcerias e trabalhos.
Natália destaca que participar da comissão também significa inserir profissionais do interior do Estado nos espaços de organização e articulação do setor audiovisual. Para ela, essa aproximação precisa acontecer nos dois sentidos. “Não é só o interior indo para os grandes centros, mas também os grandes centros olhando para o interior, dessa forma de parceria, de colaboração, de inovação, de uma forma super integrativa”, afirma.
A presença de estudantes, egressos, professores e profissionais de Pelotas em Gramado ajuda a aproximar diferentes gerações formadas na cidade e amplia as conexões do audiovisual produzido na região. Para Natália, além da experiência de participar pelo segundo ano da organização de um dos principais festivais de cinema do país, o resultado também pode ser percebido nas relações que voltam de Gramado com potencial para gerar novos projetos em Pelotas.



