O Salve Arte Festival retomou suas atividades em setembro com uma programação voltada à música autoral e ao encontro entre artistas de diferentes regiões. Realizadas no Clube de Cultura Zona Sul, no Laranjal, as atividades reuniram nomes da cena local e convidados de outros estados, combinando apresentações musicais com ações voltadas à circulação e profissionalização de artistas.
Criado entre 2020 e 2021 pelo produtor cultural e artista Kako Xavier, o projeto surgiu durante a paralisação provocada pela pandemia como uma forma de manter a cultura em movimento. Ao longo dos anos, a iniciativa ampliou sua atuação e, em 2026, passou a incorporar de maneira mais direta questões relacionadas à economia criativa, aproximando artistas, produtores e profissionais do mercado musical.
As duas noites realizadas em setembro reuniram nomes como Vicente Botti, A Voz da Pimenta Buena, Sá Biá, Vitor Pirralho, de Maceió (AL), Camaueibe, Vagnotreta, Marco Araújo e suas violas, Zé do Samba, Bedai, do Rio de Janeiro (RJ), Leu Kalunga e a Tamborada. As apresentações também deram espaço para trabalhos autorais em formatos mais enxutos, criando momentos de troca entre diferentes trajetórias e cenas musicais.
“O Salve Arte está focando na nossa canção, na nossa música autoral”, explica Kako Xavier. Segundo ele, a proposta desta nova fase é utilizar os encontros não apenas para apresentar os trabalhos, mas também para preparar os artistas para outros espaços de circulação. Por isso, a programação incorpora pitching, rodadas de negócios e atividades que simulam situações encontradas em feiras e outros ambientes profissionais do setor.
Para Leu Kalunga, que participou da edição, o festival também abriu espaço para um repertório que nem sempre consegue chegar aos palcos. A artista, que costuma circular com repertórios de forró, apresentou suas próprias canções em um formato mais intimista, de voz e violão, abordando temas relacionados à ancestralidade, às comunidades afro-indígenas e às tradições de terreiro.
“Não é sempre que eu consigo circular com o meu show autoral”, conta Leu. Para ela, a participação também representou uma oportunidade de trocar experiências com artistas e agentes da cena musical de Pelotas.
A presença de convidados de fora do Estado faz parte dessa proposta de intercâmbio. Vitor Pirralho, de Maceió, e Bedai, do Rio de Janeiro, estiveram entre os artistas convidados desta etapa, colocando diferentes experiências em contato com a produção local.
Depois das duas edições realizadas em setembro, o Salve Arte Festival da Economia Criativa prevê novas atividades em outubro e novembro. As edições devem ser encerradas no início de dezembro, quando também está previsto o lançamento da programação de verão do Clube de Cultura Zona Sul.


