A escultura “Vendedora de Doces”, do artista Madu Lopes, integra o acervo do Museu do Doce em Pelotas como uma representação fundamental da mulher negra na tradição doceira da cidade. Produzida em técnica mista com estrutura em papietagem, a peça foi cedida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e selecionada para a instituição pelo museólogo e Doutor em Sociologia, Matheus Cruz.
A obra propõe uma reflexão sobre a diversidade das matrizes culturais na produção local, buscando equiparar a influência das tradições africana, italiana, alemã, portuguesa e francesa. Para Madu Lopes, a presença da escultura no museu é uma forma de honrar essa colaboração histórica. “Criei essa obra justamente para pensar essa colaboração negra na produção do doce em Pelotas. Todas as etnias colaboraram, todas tiveram a sua movimentação no tacho. É por isso que ela está viva aqui”, afirma o artista.
O impacto e a materialidade da obra foram tema de uma ação de extensão do Laboratório de Materiais e Técnicas (LAMTEC/UFPel) na última terça-feira (24). O encontro reuniu Madu Lopes, Matheus Cruz e a professora Juliana Cavalheiro Rodighiero para tratar dos processos de criação e dos desafios da conservação-restauração da peça dentro do acervo.
Além do resgate histórico, Madu define a “Vendedora de Doces” como uma figura mágica e de empoderamento. “Acho que é uma obra que é um espelho. Ela representa a todos que vierem dialogar com seus elementos. Meu objetivo como artista foi concebê-la para que ela esteja nesse lugar de te mostrar um caminho, de abrir uma janela em ti”, explica.
Atualmente, a peça é considerada uma das obras mais monumentais do Museu do Doce, preenchendo uma lacuna importante na narrativa da instituição. Segundo o museólogo Matheus Cruz, a escolha da obra atendeu a uma necessidade de representatividade negra no museu. “Eu já havia sido questionado sobre o porquê de o museu não ter referenciais negros ou não falar da contribuição negra para os doces de Pelotas. Ela tinha todas as características necessárias: uma obra de arte monumental, de um artista renomado e carregada de significados”, pontua Matheus.


