A obra de Bruno Lavermo parece nascer de um lugar onde a cidade, a natureza e a imaginação se encontram. Artista visual de Pelotas, ele trabalha com pintura, escultura, cerâmica e ilustração, criando formas que não se entregam de imediato. Em vez de oferecer uma resposta pronta, suas imagens provocam estranhamento e convidam o olhar a completar o sentido.
Bruno define sua pesquisa atual como “surrealismo psicomágico”. A expressão aparece como tentativa de nomear um processo que mistura abstração, espiritualidade, observação da natureza e investigação interior. Em suas obras, o movimento circular e expansivo surge como elemento recorrente. Para ele, esse gesto está presente em tudo que tem vida: nas plantas, nos padrões naturais, nos ornamentos arquitetônicos e nas formas que se repetem pela cidade.
Essa relação com o espaço urbano acompanha o artista desde o início da trajetória. Bruno começou nas artes visuais pelo grafite, em 2006, por influência de Bero Moraes, e encontrou no universo da rua, do skate e da pintura uma base importante para sua formação. Com o tempo, sua produção se deslocou para uma pesquisa mais introspectiva, marcada pela busca de autoconhecimento e pela tentativa de transformar a própria experiência em imagem.
No processo de criação, Bruno diz que nem sempre sabe exatamente onde a obra vai chegar. Ele começa pelo desejo de pintar, observa, espera, dialoga com a imagem e deixa que a própria obra revele caminhos. “Eu vivo esse processo de me desvelar para mim mesmo”, afirma. Cada trabalho, nesse sentido, funciona como uma forma de escuta: do mundo, da matéria e de si.
Viver de arte no extremo sul do Brasil, ele reconhece, é um desafio. A distância dos grandes centros, as dificuldades de venda e a pouca estabilidade tornam o caminho mais duro. Ainda assim, para Bruno, produzir não é uma escolha acessória. É uma necessidade vital. “É difícil vender, é difícil sobreviver de arte aqui, mas ao mesmo tempo não tem como existir sem produzir arte.”
Bruno Lavermo é pra ficar de olho porque sua obra transforma ornamentos, formas orgânicas e inquietações internas em imagens que não querem explicar o mundo, mas abrir espaço para que cada pessoa descubra algo diante delas.



