A montagem de Fuenteovejuna, apresentada no Auditório Enilda Feistauer, marca a celebração dos 50 anos da Cia. Cem Caras de Teatro, um dos grupos teatrais mais antigos em atividade no Rio Grande do Sul. A escolha do texto clássico funciona como eixo simbólico de uma trajetória construída entre ensino, prática artística e permanência institucional.
Criada no final da década de 1960, ainda na antiga Escola Técnica Federal de Pelotas, hoje IFSul, a Cem Caras mantém atuação contínua há mais de cinco décadas, vinculando o teatro aos processos de formação escolar e à extensão cultural. Ao longo desse período, o grupo consolidou-se como espaço de experimentação cênica, formação de atores e aproximação do público com o fazer teatral, mantendo atividades regulares abertas à comunidade .
Essa trajetória se cruza diretamente com momentos decisivos da história do teatro pelotense. Em 1985, o texto Fuenteovejuna venceu o 1º Festival de Teatro de Pelotas, realizado no Theatro Sete de Abril, quando o grupo ainda se chamava Desilab, sob direção de Valter Sobreiro Jr. Quarenta anos depois, o retorno da obra aos palcos ocorre agora como parte das comemorações dos 50 anos da Cem Caras, reafirmando o vínculo entre memória, formação e continuidade da cena local.
O texto em cena
Escrita no início do século XVII por Lope de Vega, Fuenteovejuna retrata uma vila submetida ao domínio de um comendador que exerce o poder de forma violenta e arbitrária. As agressões atingem a dignidade dos moradores e, sobretudo, das mulheres. Quando a violência ultrapassa todos os limites, a comunidade reage de maneira coletiva.
Após a morte do tirano, os moradores são interrogados pelas autoridades e se recusam a individualizar a culpa, assumindo a responsabilidade como um ato comum. A peça discute abuso de poder, justiça e ação coletiva, temas que atravessam séculos e seguem provocando reflexão no presente.
A montagem comemorativa
A encenação apresentada pela Cem Caras tem direção, iluminação, concepção de figurino, trilha sonora e adereços assinados por Flavio Dornelles, com figurinos desenvolvidos pelo modista Felipe de Oliveira. O elenco reúne 26 atores, em um espetáculo de ato único com duração aproximada de 60 minutos, e conta com participação especial do grupo Oficina de Teatro de Pelotas.
O projeto foi financiado pela Lei Aldir Blanc, com apoio da Coordenadoria de Atividades Culturais (COAC), ligada à Diretoria de Pesquisa e Extensão (DIRPEX) do Câmpus Pelotas.


