A trajetória de Manoel Padeiro, uma das principais lideranças quilombolas do sul do Rio Grande do Sul, ganhou uma nova forma de chegar às salas de aula. Estudantes do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental João da Silva Silveira, no Monte Bonito, desenvolveram um jogo de tabuleiro inspirado na história do personagem, unindo pesquisa, criação artística e trabalho coletivo para abordar um capítulo pouco conhecido da formação da região.
O projeto surgiu a partir da leitura do livro Os Quilombolas do General Manoel Padeiro, do escritor Duda Keiber. A partir da obra, a professora de Artes Cristiane Vaz propôs que a turma transformasse a pesquisa em um jogo capaz de apresentar o tema de forma interativa. A atividade integrou as aulas de robótica da escola, utilizando recursos do Lab Maker, ferramentas de design e princípios do pensamento computacional durante o processo de criação.
Antes de desenvolver o jogo, os estudantes pesquisaram o contexto da escravidão no sul do Estado, conheceram a trajetória de Manoel Padeiro e estudaram a formação dos quilombos na Serra dos Tapes. Depois, participaram da elaboração do tabuleiro, da criação das cartas, da definição das regras e dos testes realizados com a própria turma.




O tabuleiro representa a Serra dos Tapes, região que abrange áreas de municípios como Pelotas, Canguçu, Arroio do Padre e São Lourenço do Sul. No século XIX, o relevo acidentado e as áreas de mata favoreceram a organização de comunidades quilombolas e a resistência de pessoas escravizadas que buscavam a liberdade. É nesse território que pesquisadores situam a atuação de Manoel Padeiro, cuja história permaneceu durante muito tempo pouco presente no ensino e vem sendo resgatada por pesquisas acadêmicas, publicações e iniciativas culturais.
Durante a partida, os participantes percorrem caminhos inspirados nesse cenário por meio de cartas que representam personagens, lugares, acontecimentos e desafios relacionados à resistência quilombola. A dinâmica exige decisões coletivas, definição de estratégias e resolução de desafios, incorporando esses elementos ao processo de aprendizagem.
O jogo integra um conjunto de atividades desenvolvidas na rede municipal para trabalhar a trajetória de Manoel Padeiro com estudantes de diferentes idades. Além do tabuleiro, o tema também é abordado por meio de histórias em quadrinhos, pesquisas e propostas artísticas adaptadas às diferentes etapas da Educação Básica. Na Escola João da Silva Silveira, esse trabalho é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), com acompanhamento da Assessoria Pedagógica de Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação.
Durante muito tempo, a história de Manoel Padeiro circulou principalmente entre pesquisadores. Hoje, ela também inspira livros, atividades pedagógicas e projetos desenvolvidos nas escolas. O jogo criado pelos estudantes da João da Silva Silveira passa a integrar esse movimento e deverá alcançar outras turmas, já que o tabuleiro, as cartas e as regras serão reunidos em um arquivo digital para uso em toda a rede municipal.


