Os crimes do assassino em série que ficou conhecido como do Maníaco do Cassino ganham uma nova narrativa em “Terror nas Dunas”. Quase três décadas depois de uma sequência de ataques a casais nas dunas da Praia do Cassino, em Rio Grande, o caso, acompanhado pelo jornalista Klécio Santos durante sua atuação como repórter, foi transformado em uma história em quadrinhos com ilustrações do quadrinista pelotense Maumau.
O livro reconstitui os crimes ocorridos entre o verão de 1998 e o início de 1999, período em que os ataques causaram medo entre moradores e veranistas do litoral sul. Na época, Klécio acompanhou de perto a investigação como jornalista correspondente na região. Anos depois, decidiu retomar o episódio a partir de uma linguagem diferente da reportagem tradicional.
Inicialmente, a ideia era transformar o caso em um livro-reportagem. A proposta, porém, mudou quando surgiu a possibilidade de utilizar a linguagem dos quadrinhos. Para Klécio, a escolha permitiu apresentar uma nova perspectiva sobre uma história que já foi tema de pesquisas acadêmicas, podcasts e outras produções.
“Pensei primeiro num livro-reportagem, mas seria mais do mesmo. O que me levou a escolher a HQ é que é uma nova linguagem”, explica o jornalista.
A parceria com Maumau também foi determinante para a construção da obra. Segundo Klécio, o projeto levou tempo até encontrar um quadrinista que conseguisse traduzir visualmente a atmosfera pretendida. O processo resultou em uma narrativa de aproximadamente 180 páginas, construída a partir da apuração jornalística e de diferentes registros sobre o caso.
Para Maumau, um dos principais desafios foi transformar um conjunto extenso e complexo de informações em uma narrativa que pudesse ser compreendida visualmente. O quadrinista passou cerca de nove meses trabalhando na organização dos relatos, documentos e informações utilizadas na HQ.
“Foi um grande quebra-cabeça que eu fui procurando encaixar pecinha por pecinha ali, trazendo a cronologia dos fatos de uma maneira que a narrativa fizesse sentido”, conta.
A construção visual também recebeu atenção especial. Maumau optou por um traço mais riscado e expressionista, buscando acompanhar o tom da história. A HQ ainda utiliza diferentes recursos para separar perspectivas e momentos da narrativa. O artista conta que as páginas com bordas pretas representam a visão do próprio assassino, construída a partir de depoimentos prestados após sua prisão, enquanto as páginas de bordas brancas acompanham a perspectiva jornalística e a investigação policial.
A obra também incorpora elementos documentais, como reproduções e referências a recortes de jornais da época. Alguns personagens foram sintetizados para adaptar a quantidade de informações à estrutura da história em quadrinhos.
A narrativa de “Terror nas Dunhas” acompanha as pistas, as diferentes versões e o desenvolvimento da investigação.
“É um livro que busca resgatar aquele verão de 1998 para 1999 e colocar o leitor dentro do caso, entre pistas desencontradas, versões que não batiam e o clima de medo que tomou conta da região”, afirma Klécio.
A obra foi lançada recentemente na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro. Para os autores, a apresentação em um dos principais espaços da literatura brasileira também marcou uma etapa importante do projeto, que une jornalismo, memória e linguagem gráfica.
Publicado pela editora Brasa, selo voltado à produção nacional de histórias em quadrinhos e integrante da holding in.Pacto, “Terror nas Dunas” chega agora ao público da região onde os acontecimentos retratados ocorreram. Em Pelotas, o lançamento contou com bate-papo com os autores, mediado pela empresária Bety Lovatel, além de sessão de autógrafos.


