Entre os dias 2 e 4 de dezembro a I Jornada Letras do Extremo Sul reúne a comunidade em torno da literatura, tradução e memória cultural da região.
Com atividades gratuitas no Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Artes e Linguagem (CEHUS) e no Instituto Simões Lopes Neto, a programação inclui palestras, mesas de debate, apresentações de trabalhos e caminhada guiada por espaços históricos ligados à produção editorial da cidade. As inscrições para participação como ouvinte estão abertas ao público por meio de formulário on-line.
A iniciativa é resultado do projeto de pós-doutorado Tradução e memória literária no extremo sul do Brasil: práticas culturais e circulação de saberes entre os séculos XIX e XX, desenvolvido por André da Silva no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPel, sob supervisão da professora Andrea Kahmann e com apoio da CAPES.
A pesquisa investiga tradutores, editores, livreiros e outros agentes culturais que contribuíram para que Pelotas e o extremo sul do Rio Grande do Sul se consolidassem como importantes polos editoriais entre os séculos XIX e XX, com atuação na produção e circulação de livros, além da formação de leitores na região.
O pesquisador destaca a presença de livrarias e casas editoriais na cidade durante o século XIX, como a Americana e a Universal, que também atuavam na produção de publicações, além da Mundial, existente até hoje: “Pelotas, assim como o Rio Grande e outras cidades aqui do extremo sul, acabavam se tornando um grande polo editorial. Não só como o lugar que recebia livros e destinava para outros lugares, mas era um produtor de materiais”, destaca André.
O estudo busca, ainda, compreender as escolhas e os interesses por trás dessas produções. Um dos exemplos é Alfredo Ferreira Rodrigues, editor do Almanak Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul, que publicou uma tradução de O Corvo, de Edgar Allan Poe, acompanhada de uma nota crítica. Para André, observar esses registros permite investigar não apenas os textos traduzidos, mas também as motivações e os debates literários que atravessavam o período.
Além das apresentações e discussões, a programação prevê uma caminhada por espaços que abrigaram livrarias, sebos e casas editoriais entre os séculos XIX e XX. A atividade busca relacionar as informações levantadas nos acervos às ruas e aos prédios de Pelotas, permitindo reconhecer a presença dessa memória no cotidiano da cidade. O evento também contempla estudos sobre literatura, canção, linguística, artes, memória e patrimônio, com trabalhos de estudantes e pesquisadores de diferentes áreas.
Serviço
I Jornada Letras do Extremo Sul
Data: 2, 3 e 4 de dezembro
Local: CEHUS/UFPel e Instituto Simões Lopes Neto
Participação gratuita como ouvinte, mediante inscrição através de formulário on-line disponível no perfil @letrasdoextremosul


