Zumbis, lobisomens, alienígenas e bruxas fazem parte do universo criativo de Dinho Humano. Aos 29 anos, o artista de Pelotas encontrou na estética do terror uma forma de expressão artística. Utilizando materiais como biscuit, arame e isopor, ele produz esculturas e máscaras que exploram as características dos monstros clássicos, com dentes, garras e expressões assustadoras. A produção ganha atenção especial durante o Halloween, período em que aumentam as encomendas de personagens ligados ao imaginário do horror.
A relação de Dinho com a arte começou dentro de casa. Sua mãe trabalha com produção artística há muitos anos e foi uma das principais influências para que ele também começasse a criar. Com o tempo, o artista desenvolveu uma identidade própria, direcionando suas habilidades para personagens sombrios e criaturas fantásticas.
“Minha mãe trampa fazendo arte desde a vida toda dela. Aí eu me inspirei nisso, só que coloquei do meu jeitinho”, conta. A preferência pelos monstros, segundo ele, surgiu naturalmente. “Eu tenho uma essência dentro de mim que é uma coisa bem darkness. Tenho um pouco de facilidade para fazer coisas obscuras, com garras e dentes, do que coisas em outros aspectos mais coloridos.”
Uma das características de seu trabalho é a utilização de materiais acessíveis, que permitem desenvolver peças detalhadas sem depender de recursos profissionais de cenografia. Com estruturas de arame e isopor, revestidas e modeladas com massa de biscuit, Dinho consegue construir personagens de diferentes tamanhos e características.
“Tem uma técnica que é usar esses materiais mais acessíveis, tipo arame, isopor, biscuit. Não é nada muito cenográfico e dá um resultado bem legal”, explica.
Das esculturas ao audiovisual independente
Embora as criaturas de terror sejam sua especialidade, Dinho também realiza outros tipos de trabalhos artísticos. Atualmente, produz peças sob encomenda, incluindo esculturas de aproximadamente 40 centímetros, e começa a ampliar sua atuação para o audiovisual.
O artista está envolvido em projetos de curtas-metragens independentes desenvolvidos em Pelotas, nos quais contribui com a criação de máscaras, pintura corporal e outros elementos de caracterização. A participação representa uma oportunidade de aplicar suas técnicas na construção visual de personagens para produções cinematográficas.
“Agora eu tô envolvido em alguns projetos de curtas independentes aqui na cidade, com uma proposta de construção de pintura corporal, máscara, essas coisas”, relata.
Durante o ano, Dinho divide seu tempo entre diferentes projetos e encomendas. No entanto, é durante o período de Halloween que sua produção encontra uma demanda especialmente ligada à estética que mais gosta de explorar. Bruxas, monstros e outras criaturas passam a ser procurados por quem deseja peças decorativas ou trabalhos personalizados.
“Se quiser fazer qualquer outro tipo de escultura, qualquer outro tipo de coisa, eu até faço. Mas a minha especialidade é Halloween vibes”, brinca.
Os desafios de viver da arte
Apesar do talento e dos projetos em andamento, Dinho ainda não consegue viver exclusivamente da produção artística. Para garantir sua renda, trabalha em um restaurante e precisa conciliar o emprego com o tempo dedicado às esculturas e encomendas.
A dificuldade faz parte da realidade de muitos artistas independentes, que precisam manter outras atividades profissionais para financiar seus processos criativos e garantir estabilidade financeira.
“Quem vê o close não vê o corre, né? Tô lá trabalhando em restaurante como emprego número um. Aí tem que fazer esse negócio da arte como emprego número dois, infelizmente”, desabafa.
Para Dinho, continuar produzindo envolve administrar o tempo disponível, investir em materiais e buscar novas oportunidades para divulgar e comercializar seu trabalho. “Viver da arte é uma luta”, resume.
Mesmo diante dessas dificuldades, o artista segue desenvolvendo suas criaturas e buscando espaço para sua produção. Com uma identidade visual marcada pelo terror e possibilidades de atuação que vão das esculturas ao cinema independente, Dinho Humano demonstra como materiais simples podem ganhar novas formas a partir da criatividade.
E para quem procura monstros, máscaras ou esculturas personalizadas, ele deixa o convite: “Se quiserem alguma coisa envolvendo essa estética, ou souberem de alguém, me avisem”.
Dinho Humano é Pra Ficar de Olho!


