Aos 22 anos, Pedro Aguiar constrói uma trajetória que transita entre diferentes linguagens artísticas. Dançarino desde a infância, ele encontrou na performance uma maneira de ampliar suas possibilidades de expressão e, ao longo dos anos, passou a incorporar a arte drag, o design, a produção audiovisual e a organização de eventos ao seu trabalho. Recentemente, também conquistou visibilidade nas redes sociais com uma trend criada por ele que viralizou no TikTok.
A relação com a dança começou aos oito anos, quando ingressou no balé clássico, modalidade que praticou até os 20. Durante esse período, teve contato com outros estilos e desenvolveu um repertório que hoje combina elementos da dança clássica, contemporânea e de performances inspiradas na cultura pop. Entre suas referências estão coreografias de artistas como Anitta e Pedro Sampaio.
A criação artística também acontece de forma coletiva. Pedro costuma desenvolver coreografias e performances ao lado de amigos, em ensaios que reúnem diferentes experiências e referências. Entre suas parcerias estão as dançarinas Rafaela e Raíssa, estudantes de Dança da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com quem já produziu conteúdos para as redes sociais.
Sua trajetória inclui apresentações no Theatro Guarany, onde começou a se apresentar ainda criança, além de participações em festas, eventos culturais e celebrações do orgulho LGBTQIA+ em Pelotas. Pedro também integrou apresentações de outras artistas drag da cidade, como Myah, com quem mantém uma parceria artística.
Em 2025, Pedro criou Angel, sua persona drag, que surgiu do desejo de se reconectar com a própria feminilidade e explorar aspectos de sua identidade por meio da performance.”A Angel nasceu de uma vontade que eu tinha de me reconectar com meu feminino”, conta o artista, que reconhece na personagem uma personalidade própria, marcada pela força, pela dança e pela liberdade de expressão.
Do palco à direção criativa
Em 2024, Pedro começou a estudar Design no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), ampliando sua atuação profissional para o campo da comunicação visual e audiovisual.
Hoje, trabalha com direção criativa e produção de vídeos, incluindo conteúdos gravados com dispositivos móveis. Entre seus trabalhos estão produções para artistas, profissionais, empresas e para suas próprias redes sociais.
A experiência na área também contribuiu para sua presença digital. Recentemente, uma trend criada por ele, na qual participantes dão voltas e desfilam diante da câmera, ganhou repercussão no TikTok e passou a ser reproduzida por outros usuários. A viralização ampliou sua visibilidade e incentivou a produção de novos conteúdos, que incluem vídeos de dança, performances e registros de seu cotidiano.
Para Pedro, essas atividades fazem parte de um mesmo processo criativo. A dança, o design e a produção de conteúdo se complementam e permitem que ele explore diferentes maneiras de desenvolver e apresentar suas ideias.
Halloween do Pedro chega a mais uma edição neste sábado (24)
A produção de eventos é outra frente de atuação do artista. Desde 2023, ele organiza o Halloween do Pedro, festa que começou como uma comemoração entre amigos, na garagem de sua casa, e acabou reunindo 115 pessoas já na primeira edição.
A repercussão daquele encontro abriu caminho para a realização de uma edição em formato open bar no ano seguinte. Desde então, Pedro passou a desenvolver o evento como uma festa voltada especialmente ao público LGBTQIA+, reunindo música, fantasias e performances artísticas.
A edição de 2026 acontece neste sábado, 24 de outubro, na JG Eventos, em Pelotas. Idealizada e organizada por Pedro, a festa busca oferecer um espaço de celebração e expressão criativa, com destaque para a participação de artistas drag.
O Halloween tem um significado especial para o produtor, que considera a data uma oportunidade para explorar a criatividade por meio das fantasias, da caracterização e das apresentações artísticas.
Valorização dos artistas locais ainda é um desafio
Apesar de reconhecer Pelotas como uma cidade de intensa produção cultural, Pedro aponta dificuldades enfrentadas por quem busca transformar a atividade artística em profissão.
Na avaliação dele, o acolhimento oferecido pelo público, pelos estudantes e pelas pessoas que participam da cena cultural contrasta com a falta de valorização financeira de muitos trabalhos.”A gente trabalha muito por amor aqui. Infelizmente, isso ainda acontece muito, o que acaba desmotivando um pouco a gente”, observa.
Para o artista, ampliar o reconhecimento e a remuneração de quem produz cultura é fundamental para fortalecer a cena local. Mesmo diante dessas dificuldades, ele segue investindo em novos projetos, colaborando com outros profissionais e utilizando as redes sociais para divulgar seu trabalho.
Pedro Aguiar é pra ficar de olho!


