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Quatro pelotenses são selecionados em edital de mobilidade cultural

Quatro artistas e pesquisadores de Pelotas estão entre os primeiros selecionados pelo edital Mobilidade e Conexões, do Banrisul Cultural. As propostas contempladas vão levar produções locais para diferentes destinos do Brasil e do exterior. A seleção integra a primeira relação de 43 projetos apoiados pelo programa, que oferece auxílio financeiro para viabilizar viagens relacionadas à formação, ao intercâmbio e à circulação cultural.

A pesquisadora e professora Giulianna Nogueira Ronna viajará a Salvador, na Bahia, para participar do encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE). Na ocasião, apresentará a pesquisa Inscrições da imagem e da palavra: exílio e deslocamento no cinema documental brasileiro, que investiga como o cinema documental aborda experiências de exílio e deslocamento e suas relações com a memória e a história do país.

Para Giulianna, participar de encontros acadêmicos permite ampliar as perspectivas da pesquisa e estabelecer diálogos com profissionais de diferentes instituições e regiões. “A pesquisa não se constrói de maneira isolada, é no encontro com outras perspectivas que se desenvolve”, afirma.

O artista visual Guilherme Nunes da Rosa, conhecido como GUINR, viajará a Mumbai, na Índia. Formado em Design Gráfico pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e em Comunicação Visual pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), ele desenvolve uma pesquisa artística ligada à cultura e à natureza brasileiras, com trabalhos que exploram combinações de cores, seres imaginários e temas como identidade, espiritualidade e justiça social.

O artista vê a viagem como uma oportunidade de renovar seu processo criativo a partir do contato com outra cultura. “Essa viagem será um grande divisor de águas”, destaca. GUINR também ressalta a importância do intercâmbio para ampliar as possibilidades de criação e fortalecer a presença da arte produzida em Pelotas em outros contextos.

Já o artista teatral Carlos Eduardo Perola participará, em Natal, no Rio Grande do Norte, da residência artística Dois autistas no teatro, desenvolvida em parceria com o professor e diretor Adriano Moraes de Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A atividade marca o retorno de Perola à atuação depois de oito anos afastado dos palcos e reúne ensaios, apresentações públicas e uma palestra sobre teatro e autismo.

A proposta parte das experiências dos dois artistas autistas e de suas trajetórias no teatro experimental. Para Perola, a iniciativa também contribui para questionar estereótipos sobre a participação de pessoas autistas nas artes. “Pessoas autistas também podem simplesmente fazer teatro, desenvolvendo suas próprias pesquisas, linguagens e propostas estéticas”, afirma. Após a etapa em Natal, os artistas planejam dar continuidade ao trabalho em Pelotas, com novas atividades previstas para março de 2027.

Completa a lista o grafiteiro e artista visual Gabriel Veiz, que realizará a exposição individual O sentido das setas 2 na Wildstyle Gallery, em Uppsala, na Suécia, em fevereiro de 2027. Com trabalhos espalhados por 36 países, o artista já participou de festivais e eventos internacionais de grafite, além de exposições individuais no Brasil. A mostra na Suécia será sua primeira exposição individual em uma galeria fora do país.

Veiz conta que havia recebido o convite da galeria dois anos antes, mas os custos de passagem, hospedagem e produção dificultavam a realização do projeto. A oportunidade de concorrer ao edital permitiu transformar o convite em uma possibilidade concreta. “Eu acho que, para nós de Pelotas, colocar o nome da cidade no mapa assim nesse circuito foi uma coisa muito importante. […] É mais uma realização de um sonho meu como artista, poder estar participando disso e estar lá podendo representar”, afirma.

O artista também destaca a importância do apoio financeiro para ampliar a presença de profissionais locais em circuitos internacionais. “A gente tem artistas aqui na cidade que são reconhecidos internacionalmente, mas, às vezes, falta uma ajuda financeira para que o pessoal consiga se alavancar um pouco mais e realizar algumas ações”, comenta. Para ele, as experiências de intercâmbio também renovam o processo criativo e incentivam outros artistas a buscarem oportunidades semelhantes.

Circulação cultural para além dos grandes centros

O edital Mobilidade e Conexões contempla estudantes, artistas e profissionais da cultura residentes no Rio Grande do Sul, com bolsas entre R$ 2,5 mil e R$ 20 mil. Os recursos podem cobrir despesas como transporte, hospedagem e alimentação para participação em atividades de formação, festivais, residências artísticas, conferências e outros eventos.

As inscrições seguem em fluxo contínuo enquanto houver recursos disponíveis. A iniciativa busca viabilizar deslocamentos que, muitas vezes, não seriam possíveis sem apoio financeiro, especialmente para profissionais que desenvolvem suas trajetórias fora dos grandes centros culturais.

As entrevistas completas

Além de apresentarem seus projetos, os quatro selecionados compartilharam suas trajetórias, expectativas e percepções sobre a importância do intercâmbio cultural. Confira os relatos completos.

Giulianna Nogueira Ronna

“Sou doutora em Comunicação Social e trabalho há 30 anos no campo da comunicação e do audiovisual. Ao longo dessa trajetória, fui aproximando minha experiência profissional da pesquisa acadêmica e, nos últimos dez anos, passei a me dedicar à investigação de como a produção cinematográfica brasileira revisita e reelabora a história recente do país, produzindo novas leituras sobre acontecimentos e experiências que atravessam nossa memória coletiva.

Atualmente, pesquiso diferentes formas de exílio e deslocamento, investigando como o cinema documental brasileiro elabora essas experiências e de que maneira as imagens, os testemunhos e os arquivos participam da reconstrução de histórias que, muitas vezes, permaneceram à margem das narrativas oficiais.

Desenvolvo essa investigação junto ao Kinepoliticom, grupo de estudos em cinema vinculado à PUCRS/FAMECOS e, paralelamente, venho atuando como professora substituta no curso de Design do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), ministrando disciplinas como Fotografia e História da Arte, em uma experiência que também amplia minhas reflexões sobre a imagem e suas relações com a cultura e a sociedade.

Como parte da minha atuação como pesquisadora, tenho procurado participar de encontros científicos e debates em universidades no Brasil e no exterior, incluindo eventos promovidos pela IAMCR (Associação Internacional de Pesquisa em Mídia e Comunicação), pela ALAIC (Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação) e pela AIM (Associação de Investigadores da Imagem em Movimento), importantes entidades dedicadas à pesquisa em comunicação, cinema e audiovisual. Neste ano, por exemplo, estive na Universidade da Beira Interior, em Covilhã, Portugal, participando de discussões sobre a produção cinematográfica no contexto das Jornadas de Cinema em Língua Portuguesa e acompanhando a exibição do documentário 8 de Janeiro: Memória, Restauração e Democracia, dirigido por Michael Kerr.

Considero esses espaços de interlocução fundamentais, porque a pesquisa não se constrói de maneira isolada: é no encontro com outras perspectivas que se desenvolve, na troca com pesquisadores e realizadores e na possibilidade de colocar nossas próprias questões em diálogo com diferentes contextos culturais e históricos. É nesse contexto que, agora em novembro, participarei do encontro da SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual), onde apresentarei a pesquisa Inscrições da imagem e da palavra: exílio e deslocamento no cinema documental brasileiro, no seminário Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas. A participação foi contemplada pelo edital de mobilidade cultural do Banrisul, valorizando a circulação do conhecimento e o intercâmbio acadêmico e cultural.

Acredito que a circulação do conhecimento é fundamental para o fortalecimento da produção artística, cultural e intelectual. Ao integrar esses circuitos, artistas e pesquisadores não apenas ampliam suas trajetórias, mas também contribuem para dar visibilidade à produção cultural e ao conhecimento desenvolvido em nossa região.

Considero importante que as políticas de mobilidade cultural contemplem também os pesquisadores, reconhecendo a produção de conhecimento como uma dimensão fundamental da cultura. A pesquisa não apenas contribui para a compreensão das manifestações artísticas e culturais, mas também produz novas perspectivas sobre a sociedade, a história e os processos que constituem nossa experiência coletiva.

Por isso, iniciativas como o edital de mobilidade cultural do Banrisul têm um papel significativo ao criar condições concretas para que profissionais da cultura participem desses espaços de intercâmbio.

A expectativa é poder compartilhar a pesquisa que venho desenvolvendo e, principalmente, ampliar as reflexões a partir do diálogo com pesquisadores de diferentes instituições e regiões do país. A SOCINE é um espaço importante de circulação e debate sobre cinema e audiovisual, que reúne diferentes perspectivas teóricas, metodológicas e estéticas.

Participar desse encontro representa uma oportunidade de aprofundar questões que atravessam meu trabalho, especialmente as relações entre cinema, memória e história, além de conhecer outras investigações e estabelecer novas interlocuções. Considero que esses momentos de troca são fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa, porque permitem confrontar ideias, ampliar perspectivas e abrir caminhos para futuras colaborações.

Nesse sentido, o apoio do Banrisul, por meio do edital de mobilidade cultural, é muito significativo, reconhecendo a participação nesse circuito e a pesquisa em cinema e audiovisual como parte da produção cultural”.

Guilherme Nunes da Rosa (GUINR)

“Estou muito feliz com essa viagem. Vai ser minha primeira vez na Índia e minha segunda vez no continente asiático. Gosto muito da cultura de lá, das comidas, do povo, da forma como eles administram o tempo e da riqueza de texturas nas vestimentas. Tenho o hábito de estudar e pesquisar sobre o destino, a cultura e a língua antes de embarcar, pois acredito que essa preparação enriquece muito a vivência. Mas defendo a experiência individual de cada pessoa, então, por mais que eu veja vídeos e leia sobre, nunca vou saber como é sem vivenciar. Acredito que essa viagem será um grande divisor de águas e estou animado para vivenciar toda a experiência visual e gastronômica de lá. O lance é se permitir, sair da zona de conforto e deixar a Índia me mostrar o que tem de melhor.

Acho superimportante o intercâmbio cultural. Para mim, é uma grande ferramenta de expansão, tanto dentro do nosso próprio país quanto fora do Brasil. A arte e o movimento artístico ganham novas camadas ao estar conectados com culturas e pessoas de outros lugares, que vivem outros costumes e falam outras línguas. Toda viagem é um ponto de partida para muitas mudanças: a gente sai de um jeito e retorna transformado, trazendo novos horizontes na bagagem. Viabilizar esse trânsito é fundamental, e iniciativas continuadas como o programa Mobilidade e Conexões do Banrisul Cultural são essenciais para que novos horizontes deixem de ser apenas um plano e se tornem realidade. Além disso, a abertura dessas portas nos dá a certeza de que a arte da nossa cidade tem força para dialogar com o mundo.

Sou GUINR, artista visual, formado em Design Gráfico pela UFPel e em Comunicação Visual pelo IFSul, com um trabalho voltado às poéticas visuais em geral. Já explorei diversos procedimentos técnicos, como pintura, colagem, escultura e ourivesaria, entre outros. Já realizei mostras coletivas e individuais, além de ter participado de projetos sociais, residências artísticas e festivais de murais nacionais e internacionais, tais como Street of Styles, Projeto 54, Inarte Urbana, Carpintaria para Todos, Pixel Show, Meeting of Styles, Pompei Street Art Festival, Torrefarrera Street Festival, Elephant Parade, O Maior São João do Cerrado e R’s e N’s de design. A partir das minhas pinturas, desenvolvo projetos particulares, sociais e empresariais.

Hoje, dedico minha pesquisa à cultura e à natureza brasileiras, às combinações de cores, a seres imaginários e a um mundo lúdico que chamo de “Surreal mais real possível”. Nele, trago o tempo de forma cíclica e abordo temas como identidade, espiritualidade e justiça social. Acredito que o ato de intervir na rua seja a forma mais simples e democrática de fazer arte: trazer cor e expressão para a cidade como uma maneira de quebrar a monotonia da paisagem urbana e da rotina do dia a dia. Uma das maiores inspirações para as minhas obras vem da conexão com as pessoas e dos intercâmbios culturais.

Atualmente, vivo um momento que chamo de “De Passo” na minha carreira. É uma fase marcada por movimento e viagens. Tenho me dedicado ativamente a editais que viabilizam o intercâmbio cultural, pois o meu grande objetivo agora é pulverizar a minha arte por diferentes cantos do mundo. Retornar ao continente asiático, mas desta vez para um país com a vibração da Índia, gera um impacto gigante no meu processo criativo. Esse deslocamento renova minhas energias para o cotidiano e valida a importância que dou ao movimento constante. Essa experiência com certeza vai oxigenar a produção, trazendo novas texturas, filosofias e cores para a minha pintura”.

Carlos Eduardo Perola

“Minha trajetória no teatro começou em 2011, no Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas, onde participei de diversas montagens e experimentações cênicas ao longo dos anos seguintes. A maior parte desses trabalhos foi desenvolvida em parceria com o professor e diretor Adriano Moraes de Oliveira, que atualmente leciona na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sempre trabalhamos bastante com o teatro experimental, explorando diferentes possibilidades de expressão corporal e vocal, frequentemente a partir de colagens de textos literários, filosóficos e de outras referências.

Entre os trabalhos de que participei, destaco os monólogos Alívio Imediato (2012–2013) e O Melhor Esconderijo (2017), ambos dirigidos por Adriano, além de Máquinas que Pensam, que Amam e que Comem Maçãs (2014), espetáculo sobre a vida do matemático Alan Turing, no qual fui dramaturgo e diretor.

Desde 2018, estou afastado da atuação, tendo me dedicado desde então a pesquisas sobre autismo, neurodiversidade, artes e política. Sou licenciado em Teatro, mestre em Ciência Política e especialista em Artes, todos pela UFPel. No mestrado, pesquisei o ativismo autista no Brasil e suas lutas por reconhecimento. Já na especialização, concluída em 2025, retomei mais diretamente as relações entre teatro e autismo, investigando as experiências de outros artistas autistas.

Portanto, embora tenha ficado alguns anos longe dos palcos, continuei refletindo sobre o teatro e suas possibilidades, especialmente a partir do paradigma da neurodiversidade. A residência artística Dois autistas no teatro, que ocorrerá em Natal (RN), representa para mim um momento muito especial dessa trajetória. Além de marcar meu retorno à atuação após oito anos, será a primeira vez em que eu e Adriano estaremos juntos como atores. Nos trabalhos anteriores, ele geralmente assumia a direção e eu atuava.

Outra novidade é que, quando começamos a trabalhar juntos, em 2011, eu já sabia que era autista, mas Adriano só recebeu seu diagnóstico muitos anos depois, em 2024. Agora, pela primeira vez, desenvolveremos uma criação teatral sabendo que somos dois artistas autistas trabalhando juntos. Essa descoberta também nos levou a revisitar e reinterpretar muitas das experiências artísticas que compartilhamos no passado.

A residência incluirá ensaios e apresentações públicas da obra, ainda em construção, Dois autistas no teatro, além de uma palestra que ministrarei sobre o tema “teatro e autismo”. O novo trabalho tem como referências iniciais textos de Friedrich Nietzsche e Samuel Beckett, autores que possuem grande importância nas trajetórias minha e de Adriano, respectivamente. Nossa proposta é desenvolver um experimento teatral-performático a partir dessas referências e de nossas próprias experiências e interesses artísticos.

Algo que me interessa particularmente é a provocação contida no próprio título: Dois autistas no teatro. Ainda existe uma tendência de associar a presença de pessoas autistas nas artes a narrativas de superação ou a atividades de finalidade terapêutica, mas acho importante mostrar que pessoas autistas também podem simplesmente fazer teatro, desenvolvendo suas próprias pesquisas, linguagens e propostas estéticas, sem que suas obras precisem necessariamente abordar o autismo como tema. A presença de artistas autistas em cena já contribui, por si só, para questionar determinados estereótipos.

Estou muito entusiasmado com a experiência em Natal. Tenho ótimas lembranças das apresentações que fiz durante a graduação e estou ansioso para voltar a atuar, desta vez diante de um público inteiramente novo, em outra região do país. Também será minha primeira viagem ao Nordeste, então existe uma expectativa pessoal de conhecer a cidade, sua cultura, paisagens, gastronomia e afins.

Considero muito importante o papel de iniciativas de fomento à circulação artística, como o edital do Banrisul Cultural. Eu e Adriano já estávamos conversando sobre a possibilidade de retomar nossa parceria e desenvolver novos trabalhos, mas ainda não tínhamos condições concretas de viabilizar um novo encontro presencial. O edital tornou possível transformar essa intenção em uma residência artística.

Para artistas de Pelotas e de outras cidades fora dos grandes centros culturais do país, oportunidades como essa são fundamentais, porque permitem superar barreiras financeiras e geográficas, apresentar trabalhos a novos públicos, conhecer outras experiências e estabelecer redes de colaboração. E o intercâmbio não beneficia apenas quem viaja, pois os conhecimentos e as experiências também retornam à cidade de origem, contribuindo para movimentar a produção cultural local.

No nosso caso, essa continuidade já está prevista. Depois da etapa em Natal, teremos um segundo encontro em março de 2027, quando pretendemos realizar novas atividades e apresentações em Pelotas, dando prosseguimento ao processo de criação. A viagem será uma oportunidade de dar continuidade a uma parceria artística e acadêmica iniciada há quinze anos, aproximar novamente a prática teatral das minhas pesquisas recentes, fortalecer o intercâmbio entre universidades e contribuir para as discussões contemporâneas sobre arte e neurodivergência”.

Gabriel Veiz

“Sou conhecido como Veiz e faço grafite desde 1998. Trabalho com arte e ilustração desde 2004, já desenhei para algumas marcas e tenho meu trabalho espalhado por 36 países diferentes, entre festivais de grafite, exposições e participação em eventos.

Para mim, ter entrado nesse circuito foi muito importante. Eu já fiz algumas exposições individuais em galerias de arte em Paraty, no Rio de Janeiro, e em outros locais do Brasil, mas ainda não havia realizado uma exposição individual fora do país. Já tinha recebido o convite da galeria na Suécia havia dois anos. É uma galeria de arte bem conceituada, principalmente no cenário da street art, chamada Wildstyle Gallery, onde já expuseram artistas renomados do circuito do grafite.

Quando recebi o convite, fiquei muito feliz. Porém, a Suécia é um local muito caro, tanto pela passagem quanto pela hospedagem e toda a logística. A galeria não disponibiliza ajuda de custo para executar a exposição: ela convida o artista e libera o espaço, e ele recebe depois com a venda dos quadros. Eu estava esperando uma oportunidade boa para que isso pudesse acontecer.

Quando o Banrisul lançou esse edital de mobilidade, com bolsas de até R$ 20 mil, pensei que aquela poderia ser a oportunidade. O pessoal da galeria me enviou a carta-convite, fiz a inscrição e fiquei muito feliz por ter sido selecionado.

Uma coisa é poder representar nossa cidade numa galeria de arte internacionalmente reconhecida; outra é representar nosso estado. Também é importante ter um artista pelotense, um artista do Rio Grande do Sul, principalmente da nossa cidade de Pelotas, realizando uma exposição individual numa galeria renomada no meio da street art.

Eu acho que, para nós de Pelotas, colocar o nome da cidade no mapa nesse circuito foi uma coisa muito importante. Pessoalmente, é mais uma realização de um sonho meu como artista, poder participar disso e estar lá representando. Se não fosse esse edital de mobilidade, talvez essa exposição nem acontecesse, pela dificuldade de fazer um investimento tão alto para estar na Suécia e produzir a mostra.

Foi algo muito importante e impactante para mim e para a nossa cidade. A gente precisa entender que temos artistas aqui reconhecidos internacionalmente, mas, às vezes, falta ajuda financeira para que o pessoal consiga se alavancar um pouco mais e realizar algumas ações. O que o Banrisul fez foi maravilhoso para mim e para vários outros artistas contemplados pelo edital. Acredito que essa ajuda é de extrema importância para a cena cultural do estado.

Para mim, particularmente, o intercâmbio cultural é algo que faço há muito tempo. Como já falei, viajo bastante e participo de muitos eventos fora do país. Toda vez que viajo, volto com uma ideia diferente. Isso me motiva a seguir fazendo meu trabalho e também incentiva outras pessoas que fazem a mesma coisa a entender que é possível estarem lá. Se eu conseguir, elas também conseguem. É uma forma de mostrar que basta persistir e ter paciência: uma hora a gente chega lá.

Estou lisonjeado com tudo o que vai acontecer. A exposição será realizada em fevereiro de 2027, na cidade de Uppsala, na Suécia, e estou bem ansioso. Algumas obras vou produzir aqui e levar para lá, mas outras serão feitas durante a viagem, porque não tem como transportar no avião algo muito grande — gosto de pintar telas bem grandes.

O nome da exposição será O sentido das setas 2, dando sequência a uma mostra que já realizei na Matriz Cultural, uma galeria de arte em Paraty, no Rio de Janeiro. Também levei essa exposição ao Museu de Bento Gonçalves. Agora, O sentido das setas 2 será uma nova exposição elaborada a partir da anterior e realizada na Wildstyle Gallery, em Uppsala, na Suécia. Vai ser fenomenal”.

OUTUBRO
 

23/ 10 – 15º Seminário de Pesquisa do Mestrado em Artes Visuais (SPMAV) | 3º Seminário Internacional de Pesquisa em Artes (SIPA)

13h30 às 19h

Local: Centro de Artes da UFPel

Evento gratuito

 

23/10 – Rock Concert em Pelotas

Hora: 20h

Local: Theatro Guarany (R. Lobo da Costa, 849)

Ingressos no Sympla

 

23/10 – 15 anos de Tamborada

Hora: 20h
Local: Theatro Sete de Abril (Pr. Cel. Pedro Osório, 160)

Ingressos no TicketSul

 

24/10 – Quintessence no Sete

Hora: 20h
Local: Theatro Sete de Abril (Pr. Cel. Pedro Osório, 160)
Ingressos no TicketSul

 

24/10 – HALLOWEEN DO PEDRO 

Hora: 23h59

Local: JG eventos (R. Benjamin Constant, 1314)

Ingressos na bio @halloweendopedro

 

24 a 30/10 – Transmissão BTS World Tour Arirang em Pelotas

24 (sáb) e 30 (sex) às 19h45

25 (dom) às 18h45

Local: Cineflix, Shopping Pelotas (Av. Ferreira Viana, 1526)

Ingressos no site da Cineflix

 

26 e 27/10 – 9ª Mostra Sesc de Cinema

26/10 (segunda)

Hora: 20h

27/10 (terça)

Hora: 9h, 14h e 20h/

Local: Theatro Sete de Abril (Praça Coronel Pedro Osório,160) 

Ingressos gratuitos pelo site do sesc

 

28/10 – Festival do Servidor no Largo do Mercado

Hora: 14h às 22h

Local: Largo do Mercado Público

Evento gratuito

 

28/10 – Cine Nave 

Hora: 19h

Local: Restaurante Nave

Entrada gratuita

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Projeto de comunicação dedicado à divulgação e promoção da cultura em Pelotas/RS e região. Conectamos a comunidade ao cenário cultural local, destacando artistas, educadores, eventos e iniciativas criativas. Através de notícias, entrevistas, coberturas de eventos e conteúdo educativo, valorizamos e fortalecemos a cultura regional, promovendo colaboração e expressão artística.

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