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Rodrigo Dias ficou no sul e trouxe nomes do pagode nacional para perto

Muitos artistas deixam suas cidades para tentar encontrar espaço em lugares maiores. Rodrigo Dias conhece esse caminho. Natural de Bagé, criado musicalmente em Pelotas e com passagem por Belo Horizonte, ele já viveu a experiência de circular por grandes palcos, lançar músicas por gravadora e sentir de perto as promessas e dificuldades do mercado da música. Agora, o movimento parece outro. Em vez de sair do sul para buscar oportunidade fora, ele tenta construir a partir daqui e trazer artistas de outras regiões para perto.

Essa virada marca a nova fase do cantor e compositor de pagode, escolhido como Destaque do Mês de maio do Arte-se. A conversa com Rodrigo foi registrada durante um ensaio de fotos exclusivo para o portal, realizado pelo fotógrafo Iago Lanzetta, e percorreu diferentes momentos da trajetória do artista como a chegada em Pelotas, a fase com a Euseiki Tudanssa (ESTD), a experiência com a Sony Music, o afastamento temporário dos palcos e a retomada da carreira solo.

 

Foto: Iago Lanzetta
Foto: Iago Lanzetta
Foto: Iago Lanzetta
Foto: Iago Lanzetta

Do rock ao pagode

Antes do pagode, Rodrigo passou pelo rock. O primeiro contato mais marcante com a música veio ainda na infância, quando pediu um violão para a mãe porque queria aprender a cantar uma música de Caetano Veloso. Em Bagé, tocou guitarra em bandas. A aproximação com o pagode veio depois, já em Pelotas, cidade para onde se mudou por volta dos 13 ou 14 anos. Foi nesse período que fez amizades ligadas ao gênero, começou a compor com mais intensidade e encontrou o ritmo que, segundo ele, o acompanha até hoje.

Na entrevista, Rodrigo conta que o seu lado compositor apareceu antes do cantor. A voz veio como consequência da necessidade de mostrar aquilo que escrevia. Para ele, a composição não funciona como uma obrigação mecânica, nem como uma rotina guiada por metas. É um lugar de retorno. “A composição é a parte da música que me abraça”, diz o artista, ao explicar que escrever o ajuda a se reconectar com a própria essência quando a música também se torna trabalho, compromisso e pressão.

Essa relação com a escrita aparece em músicas lembradas por quem acompanha sua trajetória. “Para” e “Aquariana”, lançadas com a Euseiki Tudanssa, seguem como referências importantes no repertório do cantor. Já em carreira solo, um dos marcos recentes foi “Monamour”, lançada em 2025 com participação da jovem cantora e compositora carioca Ayla Albuquerque.

A fase com a ESTD foi um dos capítulos mais profissionais da carreira de Rodrigo. Com a banda, ele viajou, participou de grandes apresentações, teve músicas lançadas pela Sony Music e viveu experiências que ampliaram sua percepção sobre o mercado. Entre as memórias, ele cita apresentações em festivais, abertura para shows de Alexandre Pires e Seu Jorge, além de uma participação no navio de Alexandre Pires, quando o cantor subiu ao palco para cantar com o grupo.

A pausa e a volta

Mas a mesma fase que trouxe visibilidade também exigiu muito. Depois da saída da banda, Rodrigo ficou cerca de dois anos afastado da música. Ele relaciona esse período ao desgaste emocional, à pressão financeira, à distância da família e à necessidade de voltar para dentro de si. A pausa, no entanto, não significou abandono. Foi um intervalo para entender o que ainda fazia sentido.

“Eu percebi que não conseguia viver sem aquilo”, conta.

A retomada começou a ganhar forma a partir de novos encontros. Um deles foi com Marcos Onex, cantor, instrumentista e compositor com atuação no cenário de São Paulo. Rodrigo o define como uma das pessoas que o ajudaram a voltar para o mundo da arte, alguém que passou a pensar com ele a música como projeto, imagem e caminho profissional.

Esse processo desemboca em “Wandinha”, faixa em parceria com o Grupo Chocolate, conhecido nacionalmente pelo hit “Alô, Virgínia”. A canção é assinada por Rodrigo Dias, Marcos Onex e Vinicius Emerim Duarte e aposta em uma narrativa leve e bem-humorada, inspirada na personagem Wandinha para brincar com duplos sentidos sobre relações e comportamentos.

O videoclipe de “Wandinha” foi gravado em Porto Alegre e conta com participação da tiktoker Bruna Piace, que interpreta a personagem nas redes sociais. Ela veio do Espírito Santo para participar das gravações ao lado dos músicos. Para Dias, a parceria com o Grupo Chocolate ganhou um significado especial porque começou antes da explosão nacional de “Alô, Virgínia”, mas chega ao público em um momento de grande visibilidade para o grupo.

Paralelamente, Rodrigo prepara o lançamento do audiovisual “Dias de Pagode”, gravado na Praia do Cassino. O projeto reúne artistas de diferentes cenas do pagode brasileiro e sintetiza o movimento atual da carreira: construir no sul, mas em diálogo com outros territórios.

 

O material conta com participação de Matheusinho, cantor e compositor do Rio de Janeiro apontado como uma aposta da nova geração do pagode; André Marinho, conhecido nacionalmente pela trajetória no Br’oz e pela passagem como vocalista do Cupim na Mesa; Ayla Albuquerque, cantora, compositora e instrumentista carioca ligada ao pagode romântico; Marcos Onex; e o cantor pelotense Vinni Fernandes.

https://youtu.be/QUJJHXa7ZJ8?si=Tr3WVjl1b5exbzkg

Construir a partir daqui

A escolha da Praia do Cassino como cenário ajuda a explicar o momento. Rodrigo não desloca seu projeto para um centro tradicional da música. Faz o contrário. Cria um encontro no extremo sul, colocando artistas de diferentes trajetórias em torno do pagode. A praia vira palco, ponto de chegada e espaço de articulação.

Segundo ele, esse era um desejo antigo. “Um dos grandes sonhos que eu tinha era conseguir trazer, na minha terra, pessoas para cantar comigo”, afirma. A internet, na avaliação do cantor, diminuiu algumas distâncias entre artistas do interior e dos grandes centros. Ainda assim, ele reconhece que a estrutura faz diferença e que, longe dos grandes mercados, o artista muitas vezes precisa acumular funções: cantar, compor, produzir, divulgar, empreender e organizar o próprio caminho.

É nesse ponto que a nova fase de Rodrigo ganha uma camada mais estratégica. O cantor fala da vontade de fortalecer a própria label, criar eventos, convidar parceiros e consolidar uma base local antes de dar passos maiores. A decisão de construir oportunidade a partir daqui, segundo ele, teve uma dimensão consciente.

“Foi um pouco consciente. Não com toda a consciência de que seria tão legal quanto foi, mas a gente tinha a noção de que, para conseguir andar um pouquinho mais para cima, tinha que estar um pouco melhor aqui na nossa cidade. A gente precisa ter o nosso evento consolidado aqui, para que o passo a passo seja um pouco mais sólido”, diz.

O “Dias de Pagode” nasce também dessa percepção. É uma tentativa de mostrar uma parte do artista que, segundo Rodrigo, nem sempre aparecia nas composições. Se muitas músicas revelam um lado romântico e introspectivo, o audiovisual busca registrar a energia do show, a alegria, o encontro, a dança e a capacidade de arrancar sorrisos do público.

No meio dessa retomada, Rodrigo carrega uma frase que ajuda a entender sua relação com a arte: “A bravura de um artista não se mede pela obra final, mas pela coragem de enfrentar o vazio inicial e preenchê-lo com pedaços de si mesmo. Cada obra é um ato de valentia.” A frase, de autor desconhecido, é citada por ele como uma síntese do que significa criar.

A imagem dos pedaços acompanha a forma como o cantor descreve a própria fase. Depois de passar por banda, gravadora, grandes palcos, pausa e retorno, Rodrigo diz sentir que chegou a um ponto de recomposição.

“Nesse novo momento, é o momento em que eu mais me conectei comigo mesmo. Eu juntei todos os meus pedaços, que pelo trajeto foram se despedaçando e se machucando. Consegui juntar todos esses pedaços e me recompor. Eu me sinto muito inteiro nessa nova fase”, afirma.

Essa inteireza aparece como chave para compreender o Rodrigo Dias de agora. O compositor está mais maduro. O cantor também. O artista que antes viveu experiências intensas dentro de uma banda agora tenta transformar a carreira solo em uma construção coletiva. Ao redor dele, há parceiros, músicos, equipe, amigos e uma ideia de caminho mais organizada.

“Ser artista não tem uma fórmula. A arte nos escolhe e a gente vai se descobrindo dentro daquilo”, resume.

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04/06 — Cristiano Quevedo em Pelotas

Hora: 21h

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Entrada Gratuita


09/06 — Sebrae na Estrada com Caito Maia

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Entrada Gratuita


13/06 — Cult Music Festival com Brisotti

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17/06 — Renato Borghetti: 40 Anos de Gaita Ponto

Hora: 20h

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Ingressos disponíveis no site do Sesc


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25/06 — O Céu da Língua com Gregorio Duvivier

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27/06 — Show da Nova Turnê do Djonga

Abertura: 20h30 | Início: 23h30
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28/06 — Myah apresenta “Confissões de uma Drag Queen em Crise”

Hora: 21h
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