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Estudante da UFPel apresenta peça sobre deficiência em POA

O ator, diretor e dramaturgo Eduardo Matias, estudante do curso de Licenciatura em Teatro e bolsista do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), apresentará um trabalho autoral em Porto Alegre. O monólogo Mãozinha, criado a partir de suas experiências como pessoa com deficiência, foi selecionado pelo edital Novas Caras Porto Alegre e terá quatro apresentações na Sala Álvaro Moreyra, nos dias 10, 17 e 24 de junho e 1º de julho.

Natural de Caxias do Sul, Matias chegou a Pelotas para cursar Teatro na UFPel e encontrou na cidade espaço para aprofundar uma produção artística que une criação, formação e inclusão. Ao longo dos últimos anos, percorreu diferentes municípios do Rio Grande do Sul com espetáculos, oficinas e ações pedagógicas, consolidando um trabalho que coloca corpos historicamente invisibilizados no centro da cena.

A estreia na capital gaúcha, no entanto, representa um marco em sua trajetória.

“São cinco anos circulando pelo Rio Grande do Sul com espetáculos e oficinas, encontrando públicos, construindo caminhos e insistindo na arte como espaço de encontro e transformação. Ainda assim, eu nunca havia chegado a Porto Alegre com um trabalho meu. Por isso, essa aprovação no edital Novas Caras Porto Alegre vem em um momento muito importante da minha trajetória”, afirma.

O artista enxerga a conquista como um gesto simbólico de ocupação dos espaços culturais por pessoas com deficiência.

“Quero dizer, através dela, que nós, pessoas com deficiência, podemos ocupar palcos, vir à luz, enfrentar o desconhecido e desafiar os estigmas de uma sociedade que muitas vezes nos torna invisíveis. Desejo que alguém com deficiência possa assistir ao meu trabalho e reconhecer em si suas próprias forças criativas, sua potência e seu direito de existir plenamente na arte e no mundo”, destaca.

Histórias que saem das sombras

Concebido em 2021, durante sua formação profissional na escola Tem Gente Teatrando, Mãozinha nasceu da necessidade de enfrentar inseguranças e transformar experiências pessoais em linguagem artística. Em 2026, Matias assumiu também a direção da montagem, criando novas cenas e uma nova configuração para o espetáculo.

A obra parte de um apelido recebido na infância e aborda o período em que o artista buscava esconder a deficiência na mão direita.

“O Mãozinha aborda esse apelido adquirido na infância, em que durante um tempo da minha vida eu precisei esconder a minha deficiência das pessoas, ao ponto delas não descobrirem. E o Mãozinha é esse ilusionista que brinca com esse ato de revelar, esconder, ser visto, estar diante dos olhares, das curiosidades e das projeções das pessoas”, explica.

A narrativa mistura teatro de sombras, dança, movimento e diferentes sonoridades. Em cena, memórias da infância, relações afetivas, situações de exclusão e o excesso de cuidado imposto às pessoas com deficiência se transformam em reflexão coletiva.

“Há um momento do espetáculo em que existe um departamento de cuidados excessivos, em que limitam as minhas ações. Esse cuidado social que, por vezes, nos tira a autonomia”, relata.

Em outro trecho da peça, o personagem precisa revelar a alguém uma característica que durante muito tempo foi tratada como segredo. A pessoa abandona a cena, e ele permanece sozinho diante das próprias questões. Há ainda passagens que remetem às brincadeiras da infância, quando a exclusão o levava a inventar o próprio mundo.

“O espetáculo articula sombras, narrativas, dança, projeções, movimentos e uma trilha sonora que vai do jazz à música eletrônica”, resume.

Histórias que saem das sombras

Concebido em 2021, durante sua formação profissional na escola Tem Gente Teatrando, Mãozinha nasceu da necessidade de enfrentar inseguranças e transformar experiências pessoais em linguagem artística. Em 2026, Matias assumiu também a direção da montagem, criando novas cenas e uma nova configuração para o espetáculo.

A obra parte de um apelido recebido na infância e aborda o período em que o artista buscava esconder a deficiência na mão direita.

“O Mãozinha aborda esse apelido adquirido na infância, em que durante um tempo da minha vida eu precisei esconder a minha deficiência das pessoas, ao ponto delas não descobrirem. E o Mãozinha é esse ilusionista que brinca com esse ato de revelar, esconder, ser visto, estar diante dos olhares, das curiosidades e das projeções das pessoas”, explica.

A narrativa mistura teatro de sombras, dança, movimento e diferentes sonoridades. Em cena, memórias da infância, relações afetivas, situações de exclusão e o excesso de cuidado imposto às pessoas com deficiência se transformam em reflexão coletiva.

“Há um momento do espetáculo em que existe um departamento de cuidados excessivos, em que limitam as minhas ações. Esse cuidado social que, por vezes, nos tira a autonomia”, relata.

Em outro trecho da peça, o personagem precisa revelar a alguém uma característica que durante muito tempo foi tratada como segredo. A pessoa abandona a cena, e ele permanece sozinho diante das próprias questões. Há ainda passagens que remetem às brincadeiras da infância, quando a exclusão o levava a inventar o próprio mundo.

 

“O espetáculo articula sombras, narrativas, dança, projeções, movimentos e uma trilha sonora que vai do jazz à música eletrônica”, resume.

Formação e inclusão

A formação em Licenciatura em Teatro na UFPel também atravessa a produção artística de Matias. O olhar pedagógico aparece nas oficinas e nos processos de mediação que desenvolve com diferentes públicos.

Desde o início deste ano, o artista já realizou mais de 40 oficinas de Parateatro Inclusivo, metodologia criada por ele para promover a inclusão por meio da linguagem teatral. A proposta reúne jogos, criação cênica e experiências acessíveis, colocando a diversidade corporal e sensorial no centro do processo criativo.

Paralelamente, sua trajetória inclui a participação no Grupo A Gangorra, o trabalho junto ao Coro do Moinho da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a criação do espetáculo Essas Pessoas: À Luz do Teatro e a direção de Além da Visão, experiência de teatro cego que propõe novas formas de percepção entre artistas e público.

Outra experimentação recente foi a performance Corpo Violino, apresentada durante a Parada Livre de 2025, em que o corpo passa a ser entendido como instrumento capaz de produzir sons, fricções e sentidos.

Espaço para outras histórias

Após as apresentações de Mãozinha, segundo o artista, é comum que espectadores se aproximem para compartilhar experiências pessoais. Cicatrizes escondidas, características físicas que causam vergonha e histórias silenciadas encontram espaço para serem contadas.

“Minha criação só se torna completa quando outras pessoas também se sentem parte”, afirma o artista.

Para ele, o teatro deve ser um espaço democrático, em que diferentes corpos possam contar suas próprias histórias.

“Não existe nada que artistas com deficiência não possam fazer. A cada porta que se abre para mim também pode abrir um caminho para que outras pessoas com deficiência ocupem seus espaços e venham à luz do teatro”, ressalta.

Em Porto Alegre, Matias espera ampliar trocas com estudantes, artistas e instituições ligadas às pessoas com deficiência, além de fortalecer o debate sobre acessibilidade e representatividade na cena cultural.

 

“A gente precisa poder ser visto para além da nossa deficiência. O meu objetivo é que essa história, que hoje está tão presente no meu corpo, possa um dia abrir espaço para outras narrativas, outras histórias de amor, de amizade, de vingança, de poder. E estar em Porto Alegre representa a possibilidade de expandir o meu público, os meus conhecimentos e honrar a minha trajetória até aqui”, conclui.

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JUNHO 


04/06 — Cristiano Quevedo em Pelotas

Hora: 21h

Local: Johnnie Jack


07/06 — 40 Anos de Som da DJ Helô

Hora: 14h
Local: Em frente ao Galpão Satolep

Entrada Gratuita


09/06 — Sebrae na Estrada com Caito Maia

Hora: 17h
Local: Shopping Pelotas
Entrada Gratuita


13/06 — Cult Music Festival com Brisotti

Hora: 17h
Local: Moradas Pelotas


13/06 — Baile do Magnata com MC Paiva

Hora: 22h
Local: Sociedade Recreativa XV de Julho


20/06 — Trapbeatz Welcome Back feat. Veigh

Hora: 23h
Local: Associação Rural de Pelotas


25/06 — O Céu da Língua com Gregorio Duvivier

Hora: 19h
Local: Theatro Guarany


27/06 — Cris Pereira: Ponto Show 5.0

Hora: 20h
Local: Theatro Guarany


27/06 — Show da Nova Turnê do Djonga

Abertura: 20h30 | Início: 23h30
Local: Associação Rural de Pelotas


28/06 — Myah apresenta “Confissões de uma Drag Queen em Crise”

Hora: 21h
Local: Johnnie Jack


31/10 — Fundo de Quintal 50 Anos

Hora: 21h
Local: Theatro Guarany
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