O palhaço voltou ao palco, e tinha muita história para contar. O artista pelotense Alex Cruz apresentou o projeto O Circo Sem Lona na 52ª Feira do Livro de Pelotas, neste fim de semana, marcando a retomada de um trabalho autoral criado em 2009. Com músicas, poesias e intervenções teatrais, o espetáculo reuniu crianças e adultos em uma apresentação que misturou humor, fantasia e reflexões sobre o cotidiano.
O reencontro com o público da Feira teve um significado especial para o artista. Ainda caracterizado como seu personagem, Alex conversou com o Arte-se logo após deixar o palco e comemorou a oportunidade de retornar ao evento, onde não se apresentava havia mais de uma década. “Foi lindo, foi maravilhoso. Estou irradiante, muito feliz”, declarou.
Para a apresentação, Alex preparou um repertório especialmente voltado ao universo da literatura. Entre músicas e intervenções, falou sobre a importância de preservar o hábito da leitura, incentivar as crianças e valorizar as histórias presentes nos livros. O artista também compartilhou lembranças de sua vivência na Bibliotheca Pública Pelotense.
“Hoje eu trouxe um trabalho bem voltado para o público da Feira, para as crianças pequenininhas e as nem tão pequenininhas também. Falei muito sobre livros e sobre como é importante a gente não perder o hábito da leitura”, contou.
A participação do público também fez parte do espetáculo. Crianças acompanharam as brincadeiras, interagiram com o personagem e se aproximaram do artista durante a apresentação. Para Alex, essa troca é fundamental, especialmente porque o repertório é formado por composições e poesias autorais. “A ideia não é um palhaço subir no palco e ficar cantando um monte de canções que ninguém conhece. A ideia é que o pessoal participe”, explicou.
Um circo de músicas e histórias
Criado em 2009, O Circo Sem Lona nasceu das inquietações artísticas de Alex Cruz. Originalmente concebido como um espetáculo coletivo, o projeto reuniu músicos, atores e bailarinos em uma proposta que combina música autoral, teatro, poesia, dança e elementos circenses. A figura do palhaço tornou-se a principal expressão desse universo, permitindo ao artista abordar questões sociais e comportamentos humanos de maneira lúdica.
“O Circo Sem Lona nasceu da minha inquietude. A minha cabeça é um turbilhão de pensamentos e de coisas que eu nunca consigo organizar. A minha ideia foi me transformar neste ser, neste palhacinho, porque dessa forma eu entendi que conseguia chegar mais fácil às pessoas”, explicou.
Nos últimos anos, Alex continuou trabalhando como músico, apresentando repertórios de outros artistas em bares e casas noturnas. O Circo Sem Lona, porém, representa um espaço de criação mais pessoal, no qual pode reunir suas próprias canções, a interpretação teatral e diferentes formas de expressão. Manter um projeto dessa dimensão também envolve desafios: além de criar e se apresentar, o artista precisa lidar com a produção, a divulgação e a busca por oportunidades para viabilizar os espetáculos.
O retorno à Feira do Livro apresentou esse universo a uma nova geração de espectadores e proporcionou um reencontro com quem já acompanhava o trabalho. Feliz com a receptividade das crianças e dos adultos, Alex encerrou a conversa com uma declaração que ajuda a compreender sua relação com o personagem: “Eu sou uma criança também. Esta é a minha melhor versão para vocês”.


