O coletivo baiano Cabokaji apresentou o espetáculo Salvaguarda na noite de terça-feira (25), no Theatro Sete de Abril, em Pelotas. A apresentação integrou a edição 2026 do Sonora Brasil, projeto nacional do Sesc que neste ano circula pelo país com o tema “Reverberações Afro e Indígenas”.
No palco, música, dança, poesia e performance se encontraram em uma apresentação marcada pela participação da plateia. Caboclo de Cobre, ISSA, Mayale Pitanga e Ejigbo Oni conduziram o público por uma sonoridade que mistura elementos eletrônicos a referências como candomblé caboclo, afrobeat, funk, rock, piseiro, baião, maracatu e toré.
Essa combinação faz parte da pesquisa artística desenvolvida pelo Cabokaji a partir de matrizes afro-indígenas. Em Salvaguarda, essas referências aparecem ligadas a questões de memória, pertencimento, ancestralidade e permanência dos povos originários, ao mesmo tempo em que ganham uma linguagem contemporânea no palco.
A relação com o público foi se intensificando durante a apresentação. Durante os cantos, movimentos e provocações vindas do palco, a plateia deixou as cadeiras e passou a participar do espetáculo. Para Caboclo de Cobre, esse envolvimento é parte fundamental do trabalho do grupo.
“A gente provoca a plateia até um ponto em que aquilo deixe de ser um show e passe a ser um ritual. Foi isso que a gente conseguiu aqui em Pelotas: um potente ritual”, afirmou após a apresentação.
O artista estimou que mais de 200 pessoas participaram da noite e destacou o encontro promovido em Pelotas como uma forma de fazer circular pelo país referências da cultura indígena do Nordeste. Em sua fala, também chamou atenção para a necessidade de reconhecer não apenas a produção cultural desses povos, mas suas lutas pela permanência, existência e preservação de seus territórios e modos de vida.
“Pelotas abraçou a gente com muito carinho. Eu me senti em casa, acolhido, protegido e encontrei uma turma com quem eu pude cantar, dançar, bailar e recitar poesias”, disse.



