O documentário 8 de Janeiro: memória, restauração e democracia, dirigido pelo professor Michael Kerr, do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pelotas, será exibido nesta terça-feira (20), em Portugal, durante a noite de abertura das Jornadas Cinema em Português, promovidas pela Universidade da Beira Interior, na cidade da Covilhã. A produção acompanha o processo de restauração das obras vandalizadas nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, e reforça a projeção internacional do trabalho desenvolvido pela universidade na preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Após a sessão, o diretor Michael Kerr participa de uma mesa-redonda sobre os bastidores da produção e o processo de documentação do trabalho de recuperação das peças históricas atingidas durante os atos que destruíram parte do acervo artístico e institucional dos prédios dos Três Poderes.
O documentário foi produzido a partir de uma iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e acompanha o trabalho realizado pelo Laboratório Aberto de Conservação e Restauração de Bens Culturais da UFPel (Lacorpi), responsável pelo restauro das obras danificadas. A ação foi coordenada pelas professoras Andréa Lacerda Bachettini e Karen Velleda Caldas, do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da universidade.
Mais do que registrar o trabalho técnico de restauração, o filme propõe uma reflexão sobre memória, patrimônio e democracia. A narrativa acompanha restauradores, professores, técnicos e estudantes envolvidos na recuperação das peças, observando o restauro como um gesto simbólico de reconstrução da memória coletiva brasileira.

Com direção de fotografia de André Barcellos, a produção também evidencia o papel da UFPel na preservação de bens culturais de relevância nacional. O projeto está vinculado ao Patrimônio Cultural dos Palácios Presidenciais, iniciado em 2024 no Lacorpi/UFPel, em parceria com o Iphan e a Diretoria Curatorial dos Palácios Presidenciais, com apoio da Fundação Delfim Mendes Silveira.
Ao longo de 2025, o documentário já foi exibido em salas de cinema de cidades como Pelotas, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e Belém, além de ter chegado à televisão aberta em rede nacional. Agora, a participação no evento em Portugal amplia a circulação internacional da obra e reforça o reconhecimento ao trabalho desenvolvido em Pelotas na recuperação de parte do patrimônio cultural atingido nos ataques de 8 de janeiro.



